A chegada

95 5 1
                                        


São Paulo, alguns anos atrás.

O som dos passos de Sarah Andrade ecoava pelo enorme corredor da mansão de sua família enquanto ela descia as escadas apressadamente.

— Sarah! — a voz de sua mãe veio da sala. — Você vai se atrasar!

— Já estou indo, mãe!

Sarah apareceu no último degrau ajeitando a alça da mochila sobre o ombro.

Aos dezesseis anos, ela carregava consigo uma aparência que chamava atenção por onde passava. Os cabelos loiros, compridos e cuidadosamente penteados, contrastavam com os olhos verdes que herdara da mãe. Apesar de viver cercada de luxo desde que nasceu, Sarah não gostava de se considerar melhor que ninguém.

Era filha única de Abadia e Evandro Andrade, dois médicos renomados que haviam construído uma verdadeira fortuna ao longo dos anos.

O maior orgulho da família era o Hospital Maternidade Andrade, fundado pelos dois e considerado um dos hospitais particulares mais importantes da cidade.

Sarah crescera tendo tudo o que precisava.

A melhor escola.

As melhores roupas.

Viagens.

Carros.

Uma enorme casa com jardim, piscina e até uma pequena área reservada para festas.

Mas havia uma coisa que seus pais sempre fizeram questão de ensinar:

Dinheiro não fazia ninguém ser melhor que ninguém.

— Finalmente — Abadia brincou ao vê-la entrar na sala. — Achei que minha filha tivesse decidido faltar à escola hoje.

Sarah revirou os olhos.

— Mãe, eu só demorei um pouco.

Evandro apareceu logo atrás, segurando uma xícara de café.

— Um pouco? Você está há quase vinte minutos lá em cima.

— Eu estava escolhendo a roupa.

— Para ir à escola? — o pai perguntou, divertido.

— Exatamente.

— Faz sentido.

Sarah pegou uma maçã sobre a mesa.

— Vocês dois ficam me zoando porque eu sou filha única.

— E você aproveita muito bem esse título — Abadia respondeu.

Sarah riu.

Ela era extremamente próxima dos pais. Apesar da rotina corrida dos dois, eles sempre tentavam estar presentes.

— Filha — Evandro chamou, ficando um pouco mais sério. — Hoje nós vamos contratar um novo motorista.

Sara ergueu os olhos.

— Motorista?

— Sim. O nosso antigo motorista decidiu se aposentar.

— Ah...

— O nome dele é Lorival Freire. Ele já trabalhou conosco alguns anos atrás, quando morava em São Paulo. Depois voltou para a Paraíba com a família.

Sarah assentiu distraidamente.

— E ele voltou para São Paulo agora?

— Voltou. A esposa e os filhos vieram com ele.

— Quantos filhos?

— Dois. Um menino chamado Preto e uma menina chamada Juliette.

Sara tomou um gole de suco.

Ainda é você Cerita yang bikin terobses. Temukan sekarang