O primeiro conto é curto, dilema simples, belo, puro, algo suave e imaturo, poderia a morte amar?
Certo dia, entretida com os humanos, a Morte se viu em um dilema: "Pode um ser desses, tão insignificante em sua miserável existência amar-me?" A pergunta instalou-se no esqueleto frio e mórbido, não conseguia uma resposta, achava-a até mesmo retórica, mas depois de tanta vida, a Morte enegrecida, duvidava de si mesma.
O jardim em que vivia era pálido, o ar ao seu redor rarefeito, as fendas de onde os olhos deveriam existir, tão vazias, vagavam em pensamento de um amor que fosse verdadeiro, era raso, traiçoeiro. Ela mesma não se amava, então quem a escolheria?
Escolher, essa era a questão, nem como opção a desejavam, se sorriam ou se penavam, planejavam seguir vida, mas claro, há exceções, cuja vida são maldições e a morte sua grande amiga. O poema que tecia a alegrava e entristecia, a alma era filosófica, mas como ser, se não a tinha? Não tinha direito a tocar, quem dirá de desejar um humano que existia.
Viver e amar é morrer, morrer e amar é viver, mas como Morte há de morrer se amar nunca amou? Se viver nunca viveu? Se seu eu não é mortal, como sonhar com a alegria? Se ao menos amasse um dia, saberia a dor da perda, a dor que ela infligia.
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Contos Fantasiosos
PoetryColetânea de textos poéticos e viajados que eu escrevi de madrugada.
