"Eu sou só uma mulher, que está na frente de um homem,
pedindo a ele para amá-la."
— Um lugar chamado Notting Hill
Meu despertador tocou às 6h40 com a mesma música de sempre — a abertura de Simplesmente Amor, porque eu sou uma pessoa que decidiu, há muito tempo, que a vida devia ter trilha sonora. O problema é que, entre apertar o soneca três vezes e descobrir que tinha dormido em cima do meu delineador aberto, cheguei à cozinha só a tempo de ver meu pai saindo porta afora com a caneca de café na mão.
— Boa sorte hoje, Estrelinha — disse ele, do jeito distraído de sempre, e sumiu.
Eu me chamo Stella Park, tenho seis meses de reinado absoluto como rainha do drama emocional interno, e vivo minha vida inteira como se estivesse sendo filmada por uma câmera que só eu consigo ver.
Isso incluía a caminhada até a garagem, onde, é claro, encontrei o obstáculo de sempre: Martin Edwards, sentado displicente no capô do meu carro, comendo uma barra de cereal como se aquilo fosse propriedade dele.
— Sai de cima do meu carro, Martin.
— Bom dia pra você também.
Ele não se mexeu. Eu conhecia aquele sorriso torto desde os sete anos, quando ele destruiu meu castelo de areia "só para ver o que eu ia fazer" (chorei por vinte minutos; ele achou hilário). Doze anos depois, o rosto tinha mudado — quase contra a minha vontade, eu precisava admitir que tinha mudado bem —, mas o espírito de irritar-Stella-Park continuava intacto.
— Você sabe que essa garagem é dividida — falei, cruzando os braços. — Isso não te dá o direito de sentar em cima das minhas coisas.
— Tecnicamente, a garagem é do seu pai. E ele deixou eu ficar aqui enquanto espero minha mãe descongelar o carro.
— Descongelar o carro? São vinte e sete graus lá fora.
— Ela é dramática.
— Imagina de quem ela aprendeu.
Martin levou a mão ao peito, fingindo-se ofendido, e finalmente desceu do capô — devagar, óbvio, só para me deixar impaciente por mais alguns segundos antes de sair andando para a escola ao meu lado, porque, apesar de tudo, morávamos a cinco minutos a pé um do outro e nossos horários sempre coincidiam de um jeito profundamente injusto.
— Você está estranhamente alegre hoje — comentou ele, olhando de rabo de olho para o meu vestido, escolhido a dedo na noite anterior depois de eu ter revisitado, pela enésima vez, minha lista pessoal de "Reencontros Mais Icônicos do Cinema".
— Sou uma pessoa alegre.
— Você gritou comigo há dois minutos.
— Isso é só carinho disfarçado.
Ele riu — um riso de verdade, não o de deboche — e por um segundo eu estranhei aquilo, até lembrar que era o Martin, ele tinha esse jeito.
A escola inteira parecia vibrar em uma frequência diferente naquela manhã, ou talvez fosse só a playlist no meu fone tocando "Cornelia Street" bem na hora em que cruzei o portão. Encontrei minha melhor amiga, Priya, encostada no bebedouro do corredor principal, com aquela cara de quem estava guardando um segredo havia pelo menos duas aulas.
— Antes de tudo — disse ela, segurando meu braço —, promete que não vai gritar.
— Isso nunca é um bom sinal.
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Melhor do que nos filmes - Martin Edwards
FanfictionBaseado no livro Melhor Do Que Nos Filmes de Lynn Painter Stella Park sempre soube que seu vizinho não daria um bom namorado. Todo mundo achava Martin Edwards simpático e bonito, mas Stella tinha certeza de que, na verdade, ele era um chato completo...
