talvez eu possa dizer que me sinto um pouco triste. embora eu também possa contar que me sinto um tanto desapontado. todavia faço a menor ideia onde estive apontado anteriormente. minha mente se encontra em um vazio, aqueles que explodem em cheio. as vezes me pego escutando alguns passarinhos, algumas gotas de chuva, alguns batimentos cardíacos.
era tal como me perder em um jardim, entretanto, não havia flor nenhuma. era uma metáfora totalmente óbvia, um vazio medroso, com medo de deixar de existir. reclamei várias vezes quando minha garganta se encheu de catarro e obrigada a cuspir, derramei em meus pés. mas eu sempre estive preso ali, não tinha como resmungar do inevitável.
não posso cobrar que meu coração não doa após ser apunhalado. como também não posso reclamar que meu cuspe caia no meu pé, contando com o fato que eu não posso me mexer. gostaria de ser bem específico, nesse diálogo pontiagudo, que me deixou muitos buracos. pedaços em branco e rasgos imensuráveis.
como se a minha mente fosse uma sacola, e meus sentimentos minhas compras. não posso culpar as pontas dos alimentos que eu mesma comprei por terem me furado. poderia eu ter adicionado mais uma sacola, ou não comprado nada no super-mercado.
depois de sonhar, volta e meia eu me pego com medo. medo da chuva que é tão grande aqui dentro. medo de repetir as mesmas compras, me perder nos mesmos jardins. apunhalar o meu próprio coração, em prol de metáforas que eu nunca contei. encheu d'àgua esse pote de goteira, se essa chuva não parar, temo que ele transborde. e leve consigo a capacidade de curar meus buracos.
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compras de supermercado.
Poetrynão posso culpar as sacolas por rasgarem, se foi eu que comprei os produtos.
