Minhas mãos suavam ao segurar as de Hamish, olhei para todos os convidados em minha volta,
Todos estavam ansiosos por um "sim", palavrinha tão pequena que eu não conseguia dizer. Respirei fundo e naquele momento tenso, acabei me lembrando que nesse dia, não tinha citado as seis coisas impossíveis antes do café da manhã.
Fiquei mais nervosa ao imaginar que casar com Hamish era algo impossível pra mim.
Olhei para o padre, ele esperava paciente uma resposta. Passei a suar frio, não queria aceitar. Mas era preciso.
Minha irmã estava em processo de separação depois que soube que foi traída. Minha família estava falindo, pois meu sogro não conseguia dar conta da empresa do meu pai. E minha mãe... Bom... Ela ansiava para que eu me casasse, precisava herdar as riquezas do Lord Hamish Ascot.
Era para o bem de todos.
Respirei fundo. - Sim. - E finalmente aceitei o Hamish como meu marido.
Minha resposta saiu fraca e espremida, minha garganta estava apertada, eu necessitava tomar ar puro, mas ainda faltava boa parte da cerimônia.
Meu coração disparava, tenho certeza que se meu pai estivesse aqui, certamente estaria decepcionado comigo.
Ele sempre me ensinou a trilhar os próprios caminhos, a escolher meu próprio destino.
Mas agora, me via como uma escrava da sociedade.
O padre continuou com o seu trabalho, admito que eu não prestava muito atenção no que dizia. Apenas olhei para a minha mãe, sentada na fileira da frente, ela me lançou seu típico olhar rigoroso, conseguia perceber em seus olhos que ela me perguntava o por quê de eu ter demorado tanto a responder.
Minha irmã praticamente imitava a minha mãe, ambas estavam furiosas. Me virei com as palavras "pode beijar a noiva".
Hamish vinha em minha direção, fechei meus olhos e meu coração disparou. Queria poder correr dali o mais rápido possível.
Seus lábios tocaram os meus, na frente de todos. Este foi o meu primeiro beijo e eu sentia minhas bochechas queimarem de vergonha, Torcia para que aquele beijo durasse apenas poucos segundos.
Seus lábios tinham um sabor especial: Parece que meu esposo tomou um pouco de chá para acalmar os ânimos antes de casar. Abri meus olhos depois que o beijo terminou, e um pouco atrás, perto do jardim, pude ver um vulto assustador.
Meus olhos seguiram a sombra enquanto eu descia as escadas, sem dar muita atenção aos degraus, inclinei a minha cabeça por cima do ombro de Hamish e vi um homem alto, bem vestido com um terno branco e gravata azul escura, era moreno claro, com os cabelos castanhos, cor de mel. O mesmo homem balançou a cabeça em negativa para mim.
Era meu pai.
Perdi meus sentidos ali.
{...}
Acordei deitada em uma cama, ainda vestida de noiva, mal conseguia respirar com todo o nervoso que eu sentia.
-Senhora Ascot, está tudo bem? - Perguntou uma das empregadas, enquanto me abanava com um leque cor de vinho.
Senti uma certa repulsa ao ser chamada de senhora, mas sei que agora terei que me acostumar. Nem pensei no que responder, uma discussão vinha da sala.
"Como ela pôde desmaiar? Estragou todo o casamento!" - Conseguia ouvir Hamish reclamando junto com a minha mãe.
"Alice sempre foi assim..." Respondeu Helen Kingsley. Indignada. "Vai ter muito trabalho com ela..."
-Deseja que eu chame seu marido, senhora? - A empregada perguntou ao ver que eu observava. Neguei com a cabeça, ainda um pouco atordoada, me levantei com dificuldade, quase caindo sobre aquele vestido longo e volumoso.
Desci as escadas da casa do meu sogro, tentava ser o mais discreta possível, Olhei pela janela e pude ver que os convidados estavam na outra parte do jardim, olhei bem para cada um, precisava encontrar aquele homem de terno branco, ao mesmo tempo em que eu precisava evitar os outros convidados. Não queria perguntas, ou demonstração de carinho e preocupação, e principalmente... Não queria receber os parabéns por um casamento armado.
Passei pela porta do fundo, perto da cozinha. Voltei para a cerimônia, estava curiosa pra ver o homem que tanto se parecia com o meu pai.
-Alice. - aquela voz me fez estremecer. Olhei em volta, respirei fundo... Sentia um medo anormal entrar dentro de mim. Me virei para trás e lá estava ele.
Não era alucinação! Parecia tão real. Eu tinha certeza... Era meu pai. Fui me aproximando. - Alice! -Ele sorriu e eu o imitei.
-Faz tanto tempo que não escuto sua voz. - continuei me aproximando com cuidado para não pisar no vestido. - Espere! - E ele correu.
Eu precisava conversar com ele. Retirei meu salto, sentindo um certo alívio, em seguida corri. Corri por todo o jardim, a essa altura, Hamish pode me ver pela janela do andar de cima da casa, não dei importância e continuei a seguir meu pai. - Não! - gritei o mais alto possível, sentindo minha garganta arranhar.
Parei no jardim, a grama verde molhava minha meia de babados. Estava perplexa, só podia ser mais um sonho. Como o meu pai pode cair na toca do MCTwisp?
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APENAS UM SONHO
FantasíaNessa versão de Wonderland, Alice recusa o chamado. Ela ignora Absolem e sua profecia, foge do Jaguadarte ao invés de enfrentá-lo e decide que tudo não passa de um sonho bobo. Ao acordar, ela deixa o reino sob o grito e o tirano da Rainha Vermelha...
