Quando vim para a universidade não estava nos meus planos arrumar um trabalho de meio período, mas a necessidade se fez presente quando os livros aumentaram e o dinheiro que meus pais mandavam não era mais suficiente para o aluguel e as despesas. Encontrei um emprego fácil, que não atrapalhava meu sono, faculdade, horário de estudos e ainda sobrava tempo para ler um livro, trabalhava numa loja de conveniência próxima da universidade, lugar que meus colegas e vários outros universitários vinham para comprar as mais diversas coisinhas, desde comida a materiais de higiene, papelaria... Enfim, na lojinha tinha bastante coisa, porém era pequena e simples, mas tinha um tantinho de cada.
Foi numa noite consideravelmente fria que o vi pela primeira vez. A coincidência me fez ficar boba, mas não pareceu ter o afetado nem um pouco, pois ainda me lembro do olhar de desdém dele quando nos vimos pela primeira vez.
Eu usava uma blusa de frio, ela era bem quentinha e nela havia diversos números, era uma blusa normal de frio, mas não tão comum e bem, ele usava uma igual, maior e mais masculinizada, é claro, mas era igualzinha... Para completar, o resto do seu visual estava muito parecido com o meu: calça preta e um coturno preto também.
Eu o vi quando fui reabastecer a geladeira com as bebidas, ele estava escolhendo uma e olhei bobamente para ele, mas logo concluí a reposição ao ver que ele nem ligou para mim. Voltei para o balcão e, em seguida, ele apareceu com sua cesta e, antes de passar as compras, reparei que ele usava um anel igual ao meu. Ignorando mais essa coincidência, passei os produtos normalmente, ele me pagou, entreguei as sacolas e então os olhos dele focaram em mim por um momento antes de ir embora.
Vieram alguns clientes depois, mas nenhum que me atraiu que nem ele. Eu fiquei com o pensamento no rapaz que parecia uma versão masculina minha até o final da semana, fiquei na torcida para que ele aparecesse na loja de conveniência de novo, coisa que não ocorreu naquela semana.
O rapaz só foi voltar quando eu havia me esquecido dele e foi muito estranho o seu retorno. Será que ele vinha ali na frente da loja, via a roupa que eu estava vestindo no dia e resolvia me copiar para pirar com a minha cabeça? Novamente estava lá a coincidência!
Eu usava uma jaqueta preta, ele também, calça jeans escura, ele também e all star estilo botinha mais claro que o jeans, ele também! Tudo bem que foi muito chocante essa minha constatação, tão chocante que nem fui discreta, ele reparou e me encarou de cima a baixo quando percebeu que eu o olhava. Virei o rosto rapidamente para o lado e voltei para o balcão enquanto retirava a jaqueta, estranhamente o momento havia me dado calor. A camiseta que usava naquele dia era uma branca com um desenho em contornos pretos, de uma das minhas camisetas preferidas, então me sentia bem com ela, mas retornando ao rapaz...
Ele veio para o balcão pagar a sua compra do dia, colocou a cesta em cima do balcão para que eu passasse os produtos na caixa registradora e nisso, retirou sua jaqueta, revelando uma camiseta quase igual a que eu usava, a única diferença era que ela era preta e os contornos do desenho eram brancos. Tamanho foi meu choque que quase derrubei um dos produtos. Passei-os o mais normal que consegui, coloquei-os numa sacola e entreguei para ele após ter recebido o pagamento.
E aí vem a última do dia! Ele usava uma pulseira dourada idêntica a minha! Demorei um pouco para soltar a sacola, quando o encarei, notei que ele me olhava chocado também, fez um gesto que entendi como um cumprimento e seguiu o seu caminho em passos lentos.
Depois daquela encarada, descartei a possibilidade de ele estar me copiando, afinal ele parecia chocado também, mas para uma segunda vez era coincidência demais.
Na manhã seguinte, contei a história para a minha melhor amiga que veio com um papo louco de que isso era o destino, disse que não podia perder a chance e que devia agarrar o cara. Eu apenas rolei os olhos para ela e ignorei a dica que ela havia me dado, mas depois da noite seguinte passei a acreditar mais ou menos no destino.
YOU ARE READING
Destino - conto
RomanceNa manhã seguinte, contei a história para a minha melhor amiga que veio com um papo louco de que isso era o destino, disse que não podia perder a chance e que devia agarrar o cara. Eu apenas rolei os olhos para ela e ignorei a dica que ela havia me...
