PRÓLOGO
A noite em que tudo queimou
Vinte e oito anos atrás.
A mansão Yıldız nunca havia parecido tão silenciosa.
Era uma daquelas noites em que o vento fazia as árvores do jardim se curvarem diante das janelas, enquanto a chuva caía fina sobre os telhados escuros.
Dentro da mansão, porém, havia vida.
Havia risadas.
Havia duas crianças.
E havia uma mãe que acreditava que, apesar de todas as dificuldades, finalmente tinha conseguido construir a família que sempre desejara.
Elif Yıldız estava sentada no tapete do quarto das meninas.
As duas bebês dormiam lado a lado no berço.
Uma pequena manta cobria cada uma delas.
Elif sorriu.
Por alguns segundos, esqueceu-se de tudo.
Esqueceu o irmão.
Esqueceu as discussões.
Esqueceu a desaprovação dos pais.
Esqueceu o peso daquela casa e de tudo aquilo que havia acontecido desde que decidira se casar com o homem que amava.
Só existiam suas filhas.
Suas duas pequenas meninas.
Elif levou a mão ao pescoço e tocou o próprio medalhão.
Depois olhou para os dois pequenos objetos que havia colocado junto às meninas.
Dois medalhões.
Iguais.
Um para cada filha.
- Minhas meninas... - sussurrou.
Ela beijou a testa de uma.
Depois da outra.
- Nunca deixem que ninguém conte a vocês que não foram amadas.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Elif.
Ela a enxugou rapidamente.
Não queria chorar.
Não naquela noite.
Não quando finalmente tinha as duas filhas nos braços.
Do outro lado da casa, uma porta se fechou.
Elif ergueu os olhos.
Seu sorriso desapareceu.
Por um instante, escutou passos no corredor.
Passos firmes.
Conhecidos.
Kaan.
Elif se levantou.
Antes que pudesse chegar à porta, ouviu a voz do marido vindo do andar de baixo.
- Kaan?
Silêncio.
Depois, uma resposta.
Baixa.
Tensa.
Elif franziu a testa.
Alguma coisa estava errada.
Ela saiu do quarto.
- O que está acontecendo?
Ninguém respondeu.
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DUAS FACES UM DESTINO
FanfictionHá vinte e oito anos, um incêndio destruiu a família Yıldız. Duas meninas desapareceram naquela noite. Uma foi criada por uma família humilde e amorosa. A outra cresceu cercada de riqueza, acreditando que o homem que a criou era seu pai e que a mulh...
