Pouco depois das sete e meia da manhã, a indústria já começava a ganhar movimento.
O enorme complexo ocupava praticamente um quarteirão inteiro e, naquela hora, funcionários atravessavam os jardins, carros entravam pelo estacionamento e caminhões deixavam a área de carga. O prédio administrativo, com sua fachada de vidro e concreto claro, refletia o céu ainda parcialmente nublado, enquanto, ao fundo, os grandes galpões da fábrica começavam a funcionar em ritmo acelerado.
Tudo naquele lugar transmitia organização, dinheiro e tradição.
A empresa havia começado décadas antes, com uma pequena fábrica de perfumes fundada pelo avô de Maraisa. Com o passar dos anos, o negócio crescera, atravessara gerações e se transformara em uma das maiores indústrias de cosméticos do país. Agora, aos trinta e dois anos, Maraisa ocupava a presidência.
E fazia questão de que ninguém esquecesse disso.
O ronco de um motor chamou a atenção de alguns funcionários próximos à entrada.
Um Audi conversível preto atravessou os portões e estacionou diante do prédio administrativo. Maraisa desligou o carro, permaneceu alguns segundos imóvel atrás do volante e observou a fachada através do para-brisa.
Aquele lugar representava tudo o que ela conhecia.
Era também onde aprendera que dinheiro, poder e sobrenome não eram suficientes para impedir uma pessoa de ser traída.
A lembrança fez sua expressão endurecer.
Ela saiu do carro, ajeitou o blazer preto e fechou a porta com suavidade. O salto do scarpin tocou o chão enquanto caminhava em direção à entrada, e os funcionários que passavam naturalmente diminuíam o ritmo para cumprimentá-la.
- Bom dia, doutora Maraisa - disse uma funcionária, endireitando a postura assim que a viu.
Maraisa apenas inclinou discretamente a cabeça, mantendo o passo.
- Bom dia - respondeu, sem diminuir a velocidade.
No elevador privativo, sua secretária apareceu quase correndo pelo corredor.
- Doutora, espera! - pediu, segurando a porta antes que se fechasse.
Maraisa ergueu a mão e segurou o sensor, esperando.
A mulher entrou ofegante, ajeitou os cabelos atrás da orelha e respirou fundo.
- A reunião das nove está confirmada. O financeiro também confirmou presença - informou, abrindo a pasta que carregava.
- E os relatórios? - perguntou Maraisa, olhando para o painel do elevador enquanto cruzava os braços.
- Estarão na sua mesa antes da reunião - garantiu a secretária, passando os olhos rapidamente pelas anotações.
Maraisa assentiu.
- Ótimo.
Quando chegou ao último andar, entrou no escritório sem dizer mais nada.
A sala era ampla, elegante e silenciosa. Uma enorme janela de vidro ocupava uma das paredes, oferecendo uma visão privilegiada da fábrica. Sobre a mesa, tudo estava perfeitamente alinhado. Ao lado da estante havia fotografias antigas de sua família e, entre elas, o pequeno frasco de uma das primeiras fragrâncias produzidas pela empresa.
Maraisa parou diante da fotografia do avô.
Passou o dedo pela moldura e ficou alguns segundos em silêncio.
- Vamos trabalhar - murmurou, afastando-se.
Enquanto isso, alguns andares abaixo, Marília enfrentava uma batalha completamente diferente.
YOU ARE READING
Rivalidade&Romance
FanfictionMaraisa tem dinheiro, poder e uma das maiores indústrias de cosméticos do país. Depois de uma traição e de descobrir uma fraude dentro da própria empresa, ela se tornou fria e incapaz de confiar em alguém. Até Marília aparecer. Aos 19 anos, Marília...
