cap 01

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Cassandra.

A noite parecia ordinariamente silenciosa.

O céu estava desprovido de estrelas, encoberto por uma espessa camada de nuvens que ocultava qualquer vestígio de luar. A chuva, fina e persistente, tamborilava contra o para-brisa do carro, enquanto os faróis rasgavam o escuro da estrada.

Eu estava no banco do passageiro.

Minha mãe dirigia.

Não conversávamos. Havia apenas o ruído monótono do motor, o limpador de para-brisa movimentando-se de um lado para o outro e, ao fundo, uma música quase inaudível.

Um clarão veio de frente e um estrondo ensurdecedor.

O carro foi violentamente arremessado para o lado, e meu corpo foi lançado contra o cinto de segurança. O vidro estilhaçou-se em uma sucessão de ruídos agudos. Senti algo rasgar minha pele, primeiro no braço, depois em meu rosto.

— Mãe?!

Não obtive respostas.

O carro havia parado de maneira completamente irregular, inclinado contra alguma coisa. Por alguns segundos, permaneci imóvel, incapaz de compreender o que havia acontecido.

— Mãe...?

Minha voz saiu trêmula.

Virei lentamente o rosto.
E então o mundo deixou de fazer sentido.

Ela estava imóvel.
O impacto havia sido brutal. Seu corpo permanecia preso ao banco, mas sua cabeça havia sido violentamente separada dele.

A visão diante de mim era tão absurda, tão terrível, que meu cérebro simplesmente se recusava a aceitá-la.

— Não...

Comecei a tremer.

— Não, não, não...

Minhas mãos procuraram o cinto desesperadamente. Eu não conseguia respirar direito. As lágrimas começaram a escorrer antes mesmo que eu percebesse que estava chorando.

— Mãe! Mãe, por favor!

Abri a porta do carro e caí sobre o asfalto molhado.

Corri.

Não sabia para onde.
Não sabia o que estava fazendo.
Apenas precisava fugir daquela imagem.

Os cortes em meus braços ardiam, e minhas pernas mal conseguiam sustentar meu peso. Eu chorava de maneira descontrolada, tropeçando enquanto tentava encontrar algum lugar onde pudesse pedir ajuda.

Depois de alguns minutos que pareceram intermináveis, avistei luzes ao longe.
Uma delegacia.

Entrei quase cambaleando.

— Por favor...

Minha voz mal passava de um sussurro.

Dois policiais que estavam próximos ao balcão imediatamente se levantaram.

— Senhorita, o que aconteceu?
Eu tentei responder.

Não consegui.
Apenas chorei.

Um dos policiais aproximou-se com cautela ao perceber os cortes espalhados por meus braços e rosto.

— Você está ferida. Precisamos levá-la para dentro e descobrir quem pode ser contatado.

— Minha mãe...

Foi tudo o que consegui dizer.

— Onde ela está?

Meu peito apertou.
A lembrança voltou como uma lâmina atravessando minha consciência
.
— Ela... ela morreu.

O baile de máscarasStories to obsess over. Discover now