7 ANOS ANTES
ALLIE
LA Tennis Club
— Sabes que eu vou ganhar, não sabes? — exclamei para o Cole enquanto brincava com a raquete.
— Isso achas tu! Eu treinei bastante. Estou mais do que preparado para te ganhar, Allie! — respondeu ele, levantando-se e indo buscar a sua garrafa de água.
— Prepara-te para perder, Cole!
Ambos soltámos uma gargalhada.
— Ei, Allie! Já está na hora do jogo.
O Cole pousou a garrafa e olhou para o relógio que tinha no pulso. Depois aproximou-se de mim e estendeu-me a mão.
— Boa sorte!
Apertei-lhe a mão e sorri.
— Boa sorte!
Fomos para as nossas posições e o jogo começou.
Foi um jogo complicado. Ele não estava a mentir quando disse que tinha treinado. Estava preparado e, durante grande parte do jogo, parecia que ia ganhar.
Mas consegui virar o jogo a meu favor.
E ganhei.
— Ganhei!
Comecei aos pulos pelo campo e corri até à rede, onde o Cole me esperava.
Só que havia qualquer coisa diferente no rosto dele.
Estava furioso.
Mais furioso do que alguma vez o tinha visto.
— Eu avisei-te que ia ganhar! — exclamei, soltando uma gargalhada enquanto colocava as mãos na rede.
— Com batota, até eu, Allison!
Atirou a raquete para o chão.
— Eu não fiz batota! Tu é que não sabes jogar!
O Cole olhou para mim com os olhos cheios de raiva.
— Eu sei jogar! Tu é que parece que não sabes ser uma filha boa o suficiente para não teres medo de o teu pai preferir os teus irmãos! E por isso fazes batota sua mentirosa!
Fiquei imóvel.
O sorriso desapareceu-me da cara.
Durante alguns segundos, limitei-me a olhar para o Cole.
O meu melhor amigo
A pessoa em quem mais confiava.
E ele acabara de usar contra mim a única coisa que lhe tinha contado em segredo.
— Tu prometeste nunca contar isto!
Ele continuava furioso. Naquele momento, já nem sabia onde terminava a raiva dele e começava o verdadeiro Cole.
— Eu prometi até descobrir que me traíste fazendo batota! — exclamou.
— Eu não fiz batota! Não sou como tu, que nos últimos jogos em que participaste só ganhaste por batota e por comprares os jogos com o teu dinheiro podre!
O rosto dele mudou por um instante.
Mas a raiva voltou imediatamente.
— Pelo menos o meu dinheiro serve para alguma coisa! — respondeu ele. — Não é culpa minha que tenhas de fingir que és boa em alguma coisa para o teu pai reparar em ti!
Apertei a raquete com força e dei um passo em frente.
— A nossa amizade acabou.
Virei-me e saí do campo, dirigindo-me aos bancos. Agarrei no meu malote e fui em direção aos balneários.
Não olhei para trás.
⸻
Estava sentada no balneário a arrumar as minhas coisas, demasiado chateada para me preocupar se ficavam bem arrumadas ou não.
— Allie...?
A minha mãe tinha acabado de entrar.
— O que é que foi?! — respondi rispidamente.
— Ei! Tem calma. Eu não tenho culpa do que aconteceu.
Ela aproximou-se e sentou-se no banco ao lado do meu malote.
— Senta-te. Vamos conversar.
Olhei para ela com os olhos cheios de lágrimas e sentei-me ao seu lado.
— Ele magoou-me... muito.
A minha mãe ficou em silêncio durante alguns segundos.
— Eu sei, Allie.
Ela abraçou-me.
— Os Montgomery são assim. Não há nada que possamos fazer.
Agarrei-me a ela enquanto tentava controlar as lágrimas.
— Eu odeio-o.
A minha voz tremia.
— Odeio-o como nunca odiei ninguém.
A minha mãe não respondeu. Apenas continuou a abraçar-me.
E ficou comigo durante tempo suficiente para eu perceber que o meu melhor amigo tinha acabado de se tornar o meu maior inimigo.
A partir daquele momento, Cole Montgomery estava morto para mim.
⸻
COLE
Fiquei ali parado, a olhar para a minha melhor amiga — ou pelo menos para quem eu achava que ela era — a afastar-se.
Chutei a raquete algumas vezes, ainda furioso.
— Cole! Para, rapaz!
O meu pai apareceu atrás de mim e agarrou-me pelos ombros.
— Olha para mim, Cole!
Obedeci.
Tinha os olhos cheios de lágrimas, mas não queria deixá-las cair.
— A Allison é uma Kensington. Os Kensington são estúpidos, exatamente como ela! Não percas o teu tempo a sofrer por gente como eles.
Limitei-me a acenar com a cabeça.
Não respondi.
Só conseguia pensar numa coisa.
A Allison Kensington estava morta para mim.
Depois daquele dia, nunca mais joguei ténis.
E nunca mais quis saber da Allison.
O meu ódio falso por ela e por aquela família tornou-se real.
Exatamente como o dos meus pais.
