O tamborilar ritmado da chuva contra as vidraças era o único som que preenchia a sala da pequena casa de campo. Sentada no tapete gasto, Han Yuna, de apenas oito anos, deslizava o giz de cera preto pelo papel. A televisão exibia um desenho animado qualquer, mas os olhos da menina estavam fixos nos cantos escuros do cómodo.
Desde que se lembrava, Yuna sabia que o seu mundo funcionava de forma diferente. As silhuetas escuras que se projetavam nas paredes não eram meras ausências de luz; eram extensões dela mesma. Quando a tristeza a apertava o peito, as sombras rastejavam mansamente até tocar os seus pés. Quando o medo surgia, elas erguiam-se, espessas e pontiagudas, comosentinelas silenciosas.
Naquela noite, a quietude da casa estava corrompida por uma tensão invisível.
O seu pai caminhava de um lado para o outro, os passos pesados fazendo ranger o soalho de madeira. Perto da grande janela da frente, a sua mãe afastava a cortina acada poucos segundos, perscrutando a escuridão da estrada.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou Yuna, largando o giz. Os pais trocaram um olhar cúmplice, carregado de um desespero que tentavam esconder. O pai forçou um sorriso, ajoelhando-se ao lado da filha.
- Não, minha querida. Está tudo bem. Continua a desenhar.
A mentira desfez-se no ar um segundo depois.
Fortes feixes de luz branca cortaram a escuridão do pátio, invadindo a sala eprojetando a sombra de Yuna de forma iolenta contra a parede. O som de travagens bruscas ecoou lá fora.
Viaturas pretas, blindadas e sem insígnias, cercaram o portão principal. Homens com uniformes táticos escuros desembarcaram em perfeita sincronia mecânica.
A mãe de Yuna recuou, o rosto pálido como cera.
- Eles encontraram-nos...
- Não... ainda não... - murmurou o pai, correndo para trancar a fechadura, sabendo que era inútil. O aviso não veio por palavras, mas pelo estrondo metálico.
A
porta da frente foi arrombada, voando em estilhaços. Homens armados invadiram o espaço, os canos das armas apontados para todos os cantos. Yuna deu um salto, o coração disparado, e correu para trás da mãe, agarrando-se à sua saia.
- Han Yuna identificada! Alvo localizado! - gritou o agente da frente, a voz abafada pela máscara tática.
- Não toquem na minha filha! - a mãe de Yuna envolveu-a num abraço apertado, tentando protegê-la com o próprio corpo.
Atrás do cordão de isolamento dos soldados, um homem de bata branca com passos calmos entrou na sala. O seu olhar frio e clínico pousou em Yuna, despido dequalquer humanidade. Era como se avaliasse uma peça de maquinaria.
- Confirmado - disse o cientista, consultando um dispositivo digital no pulso. - Osníveis de energia latente são perfeitamente compatíveis.
- O que querem de nós? Deixem-nos em paz! - exclamou o pai, tentando colocar-se entre o cientista e a família, mas foi imediatamente imobilizado por dois guardas.
O homem de bata branca nem se deu ao trabalho de olhar para ele.
- Levem-na.
- Não! Mamã! - o grito de Yuna rompeu a sala à medida que os braços dos soldados a arrancavam do abraço protetor da mãe.
O pânico da menina desencadeou algo no ambiente. O ar da sala tornou-se subitamente gélido. As lâmpadas do teto começaram a piscar violentamente e, doscantos da divisão, as sombras ergueram-se como labaredas negras, agitando-secom uma fúria selvagem. Os agentes recuaram um passo, os dedos instintivamentemais firmes nos gatilhos.
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N.O
Science FictionYuna uma criança de apenas oito anos, foi tirada de seus pais biológicos, por cientistas que sabiam seu maior segredo, seus poderes, la ela encontra sete rapazes que também tinham suas habilidades, eram completamente diferentes mas tinham acabado d...
