Capítulo 01 (Parte 1)

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        Eu e o chão sempre fomos amigos. Sim, você me entendeu certo, o chão. Era só colocar o pé na rua para cair, tá bom, eu estou exagerando. As minhas quedas eram todas relacionadas e minha grandiosa falta de atenção. Porém, acho que comecei mal, meu nome é Alicia de Oliveira e eu tenho seis anos. Nesse exato momento estou brincando de esconde-esconde com meus amigos no parque, aí você vai perguntar: Quem cai brincando de esconde-esconde? E eu vou responder: Eu. Não contente com isso, eu tinha que cair justamente na frente de alguém. Mesmo com o ardor no joelho e nas palmas das mãos, tentei levantar rápido.

        — Você está bem? — a pessoa falou enquanto me ajudava a levantar, suas mãos eram de criança também. — Você se machucou? — Eu não tinha coragem de encarar quem me oferecia ajuda, era tão vergonhoso cair assim.

        — Eu estou bem, obrigado! — Tento sair andando, mas acabo esbarrando na pessoa, que me segura evitando que eu caia.

        — Você deveria prestar mais atenção... hm... acho que o seu joelho tá ralado. — A pessoa se agacha na minha frente, permitindo que eu a veja. É um garoto, talvez mais velho que eu, não consigo ver seu rosto. Os cabelos dele são de um tamanho médio, os fios escuros são cacheados e meio desgrenhados também.

        — Não é nada demais, eu já estou acostumada com isso. — Essa resposta pra mim soa como uma desculpa para fugir e talvez seja exatamente isso que eu queira.

        — Você é a Alicia? — Quando olho novamente ele está me encarando, seus olhos tem uma cor incomum, eles são amarelos e brilhantes. Seu olhar me atravessa com uma intensidade que eu nunca senti antes, isso me mantém paralisada. Fico ali por um tempo, tentando assimilar o que o garoto perguntou, engulo em seco algumas vezes, antes de responder.

        — Sim, como você sabe? — Ele não desvia o olhar de mim, como se me desafiasse para um jogo de encarar, eu escolho não aceitar o desafio e desvio o olhar para o resto do seu rosto. A pele dele é cor de canela, os olhos tem um formato amendoado, o nariz dele é meio torto e ele tem uma cicatriz. Meu olhar se fixa nessa marca por um tempo, tentando entender o porquê de uma criança ter uma marca dessa. Antes que eu possa perguntar, meus devaneios são interrompidos pela voz dele.

        — Você é amiga dos meus irmãos, eles não param de falar sobre você. — O garoto ficou de pé novamente e só então percebi que o ardor do meu joelho havia passado. Ele não me deu tempo de perguntar nada antes de voltar caminhando para o lugar onde estava sentado.

        —Ei! — falo com um impulso de coragem que não sei de onde saiu. — Eu nem sei o seu nome e o que você fez? Eu tenho certeza de que meu joelho estava ralado! — Ele se vira novamente para mim, seu olhar brilha com curiosidade e eu finalmente reparo no quanto ele é fascinante, ou pelo menos no quanto me deixou fascinada.

        — Você sabe o meu nome, aposto que meus irmãos falaram de mim. E não, o seu joelho não estava ralado, foi apenas impressão, eu estava justamente conferindo isso — ele afirma, porém continua me encarando. Tento pensar em quem poderiam ser os irmãos dele, mas não me ocorre ninguém. Momentaneamente sinto um ardor fantasma no joelho e noto uma pequena cicatriz que eu não tinha antes. — Derek — o garoto interrompe novamente os meus pensamentos, volto a encará-lo, mas ele está olhando o meu joelho. — Meu nome é Derek.

        — Derek?! Você é o irmão do Brian e do Lucca? — eu estou incrédula, ele permanece olhando para o meu joelho, sua mão direita está apoiada na parte de trás do pescoço e eu não sei bem como interpretar essa reação. — É que vocês não se parecem, mas estamos fugindo do assunto. Eu tenho certeza que o meu joelho estava ralado, estava até ardendo e eu senti o sangue.

Cicatrizes do DestinoStories to obsess over. Discover now