Capitulo 1

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Você pode amar um lugar e, ainda
assim, escolher deixá-lo.




















A primeira coisa que aprendi sobre filmes foi que toda história começa antes de alguém perceber que ela começou. Comigo foi a mesma coisa. Eu fazia as mesmas coisas, com as mesmas companhias, quase todos os dias. Nunca parei para pensar em quando a minha história começaria de verdade.

Primeiro porque achava injusto falar assim já que significaria que todos os outros anos não tinham sido nada. E eles tinham sido coisa 'pra caramba. Todos os meus dezesseis anos nessa terra. Ou melhor... nessa areia já que nasci e cresci em Outer Banks. Uma ilha que fica na Carolina do Norte, cercada pelo Atlântico e por histórias que parecem grandes demais para caber em um lugar tão pequeno.

Eu conhecia cada pedacinho dela. Todas as ruas, mercados e os bares, mesmo que não pudesse frequentar por causa da idade. Também conhecia as únicas duas escolas que existem aqui. A Figure Eight Preparatory School, a dos Kooks, a galera ricaça que tem dinheiro o suficiente para pagar uma fortuna em mensalidade e todo o resto que precisa. E a Kildare County High School, a dos Pogues, onde gente como eu estudava. O pessoal que os pais trabalhavam para sobreviver, quando sequer tinham pais que se importassem o suficiente com isso. O pessoal que geralmente trabalhava para os Kooks.

— Eva, qual é! Anda logo. A gente vai atrasar! — escutei Pete me chamar do lado de fora de casa.

A Kildare County, ou como foi carinhosamente apelidada por seus primeiros alunos: KC, foi onde conheci o Pete. Quer dizer, o Patrick. Isso, Patrick Evans. Também conhecido como: meu melhor amigo desde o segundo dia de aula na pré escola.

Eu tinha acabado de começar a estudar, quase que literalmente, quando nos conhecemos. Pete já estava estudando há um ano por ser um ano mais velho que eu. Meu pai havia me deixado lá e saído, sem me dar a chance de ser uma criança que não se adapta a escola de primeira.

Era hora do intervalo e eu não tinha feito amizade com nenhuma das menininhas ou menininhos da minha sala. Não era muito boa nisso. Sempre tinha sido só eu e o JJ. Meu irmão que é quatro anos mais velho. Sendo assim estava sozinha. E praticamente já tinha aceitado isso.

Lembro-me de caminhar até uma parte mais afastada das crianças da minha série e avistar um balanço. Me sentei ali e abri minha lancheira.

— Você quer um pedacinho, senhora formiga? A pequena eu perguntei baixinho oferecendo um pedacinho do meu biscoito para o pequeno animalzinho na minha frente.

— Você está falando sozinha? Lembro que me assustei e levantei com um pulo do balanço ao ouvir alguém falando comigo. Outra criança. Mais velho que eu, era óbvio. Fiquei tão assustada que não consegui responder e ele continuou dizendo

— Ah, você não fala? Achei ter ouvido você falar mas tudo bem. Tenho um tio que não escuta. De uma orelha só, na verdade. Mas estaria tudo bem se fosse das duas.

Ele limpou as pequenas mãos na blusa listrada preta e azul e as esticou para mim, se apresentando em seguida.

— Sou Pete. Na verdade Patrick. Mas Patrick é muito grande e difícil. Ele sorria de forma doce. Me lembro de achar o sorriso de Pete igual ao do meu irmão mais velho o que me fez sentir que podia confiar nele.

— Eva. Finalmente consegui falar. Estendi a mão e cumprimentei. — E eu sei falar. Só estava assustada.

— Tudo bem então. Prazer Eva. Pode me chamar de Pete. Ele olhou para a lancheira que havia caído no chão junto do meu biscoito e garrafinha que tinha entornado o suco.

O Meu LimiarHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora