Capítulo 1: Scandicci

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Notas da autora:

Gente do céu, minha primeira vez escrevendo
fanfic delas, me perdoem os erros de digitação e alguma coisa que ficou fora de contexto. Amo muito esse casal inventado e quis contribuir com as fics dela aqui na plataforma.
Aproveitem e me digam o que acharam 🙏🏻❤️
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       O aeroporto de Florença estava abafado, um calor úmido de setembro que grudava a roupa no corpo e deixava o ar parado, como se a própria cidade estivesse prendendo a respiração. Julia Bergmann arrastou sua mala pelas portas automáticas do desembarque, sentindo o peso de cada quilômetro percorrido nos últimos meses. A temporada de seleções tinha sido um moedor de emoções. A prata na VNL, depois de uma campanha heroica que terminou com a derrota para a Turquia na final, ainda deixava um gosto agridoce. O ouro no Sul-Americano, conquistado em casa contra a Argentina, tinha sido um bálsamo temporário. Mas a semifinal da VNL, aquela partida contra a Itália, continuava gravada em sua memória como uma cicatriz que insistia em não fechar.

       O Brasil tinha vencido a Itália na semifinal. 3 sets a 2. Julia se lembrava de cada ponto, de cada bloqueio, de cada olhar. Mas o que ela lembrava com mais nitidez era o rosto de Ekaterina Antropova no final da partida. A oposta italiana ficara parada no centro da quadra, os olhos verdes fixos no placar, como se não conseguisse acreditar. Não chorou, não gritou, não demonstrou nada além de um silêncio absoluto que parecia mais pesado do que qualquer explosão de raiva.

        Julia tinha sentido vontade de se aproximar. De dizer algo. Mas não sabia o quê. E quando seus olhares se cruzaram por um breve instante no corredor, Antropova desviou o rosto, os lábios apertados em uma linha fina. Aquilo doeu. Não como uma derrota, mas como uma rejeição inexplicável.

        Agora, meses depois, Julia estava na Itália. Scandicci. Um recomeço que parecia mais uma sentença.

        A Scudetto da temporada passada tinha sido brutal. O Scandicci, comandado por uma Antropova inspirada, havia varrido o Conegliano de Gabi nas semifinais e conquistado o título com uma autoridade que ninguém esperava. Julia assistira aos jogos pela televisão, ainda com a camisa do THY, sentindo uma mistura estranha de admiração e inveja. Antropova era uma força da natureza, uma oposta que jogava com uma raiva contida que explodia em cada ataque. Ela era o tipo de jogadora que Julia admirava de longe, mas que a irritava profundamente por uma razão que não sabia nomear.

      Agora, seria sua companheira de time.

      O celular vibrou. Uma mensagem de Kiera Van Ryk.

"Chegou? O motorista do clube está te esperando na saída B. Bem-vinda ao caos. K."

        Kiera Van Ryk. A canadense tinha sido sua colega no THY, na Turquia. Foram meses intensos, compartilhando a mesma quadra, a mesma cidade, a mesma rotina exaustiva. Kiera era daquelas amizades que se constroem no cansaço, quando as palavras perdem a importância e o que importa é a presença silenciosa ao lado. Quando a canadense anunciou sua transferência para o Scandicci, Julia sentiu uma pontada de inveja. Agora, as duas estavam na mesma situação: estrangeiras, novatas, tentando encontrar seu espaço em um time que já tinha uma identidade forjada.

         Saber que Kiera estaria ali era um consolo pequeno, mas real.

        Julia avistou o motorista, um senhor de terno que segurava uma placa com seu sobrenome. Ela se aproximou, forçando um sorriso. O italiano que ela estava aprendendo ainda era travado, um emaranhado de conjugações que não saíam naturalmente. O homem pareceu entender seu silêncio e apenas pegou sua mala, indicando que o seguisse.

LEGENDARY LOVERS  - Bergmann + Antropova Histórias para pegar e não largar. Descubra agora