A Noite de Núpcias
Encarei meu reflexo no espelho, por alguns segundos, não reconhecendo a mulher que me observava
- Você está deslumbrante, minha senhora - disse uma das criadas, ajeitando cuidadosamente os fios do meu cabelo.
Os fios ruivos caem em longas ondas pelas costas, Pequenas joias adornavam meus cabelos e meu pescoço, enquanto a camisola era de um tecido tão leve e macio que eu mal sentia o peso sobre a pele. O tom marfim fazia meus cabelos parecerem ainda mais vivos, enquanto delicadas rendas contornavam o decote e as mangas compridas. Pequenas flores bordadas em fios dourados percorriam o tecido, formando desenhos que pareciam ter sido feitos à mão.
A cintura era marcada por uma faixa fina de seda, e a saia caía até meus tornozelos em várias camadas leves, movendo-se suavemente cada vez que eu dava um passo.
Era bonita. Bonita demais.
E talvez fosse justamente por isso que eu não conseguia me reconhecer usando aquilo
Eu não era aquela mulher. Eu era apenas Elara. Uma plebeia que nunca deveria ter vestido seda, muito menos estar prestes a se tornar esposa de dois príncipes
Era a minha noite de núpcias
E, naquela noite,não pertenceria a apenas um homem
Em Aveloria, algumas tradições eram mais antigas que a própria coroa
Tão antigas que ninguém sabia dizer exatamente quando havia começado.
A tradição não se aplicava a todos os casamentos da família real. Ela só era seguida quando o rei tinha dois filhos homens nascidos com poucos anos de diferença, próximos o suficiente para que ambos pudessem ser considerados parte da sucessão. Quando isso acontecia, o primogênito se tornava o herdeiro da coroa, enquanto o segundo era encarregado de proteger o reino.
E a mulher escolhida deveria se casar com os dois irmãos. Diziam que, ao compartilharem a mesma esposa, nenhum dos dois teria motivos para transformar o outro em rival. Era uma tradição criada há séculos para impedir outra guerra pelo trono. E, infelizmente para mim, Cassian e Lucian haviam nascido exatamente como a tradição exigia. E eu... eu deveria pertencer aos dois.
Respiro fundo, meu maior medo não era a tradição. Era Lucian
Ou, mais precisamente, era o medo de que ele se lembrasse.
Lucian havia perdido a memória.
E, desde então, não se lembrava da mulher que um dia amou. Não se lembrava da traição que acreditava ter testemunhado. Não se lembrava do ódio que sentia por ela
Talvez aquilo fosse uma bênção
Talvez fosse uma segunda chance
Aperto os dedos sobre o tecido da camisola
Ele não se lembrou até agora
Talvez nunca se lembrasse
Talvez pudesse começar novamente
Talvez pudesse fazer Lucian entender que ela nunca o trairia daquela forma antes que o passado destruísse tudo
- Elara?
Lucian estava parado à porta.
O cabelo claro estava ligeiramente desalinhado e úmidos, como se ele tivesse acabado de sair do banho. Seus olhos verdes se encontraram com os meus, e, por um instante, esqueci completamente de tudo que estava pensando
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O PRÍNCIPE QUE ESQUECEU QUE ME ODIAVA
RomanceEu fui acusada de trair o homem que amava. Ele me encontrou nos braços de outro homem, e, naquela noite, o amor que sentia por mim se transformou em ódio. Eu tentei explicar. Jurei que tudo não passava de uma armadilha. Mas ele não acreditou. Anos d...
