Três anos.
Para Maiara, aquele número tinha deixado de ser apenas uma medida de tempo. Eram três anos desde a última vez que havia vestido a camisa da seleção principal. Três anos desde que as lesões, uma atrás da outra, transformaram o sonho de continuar representando o país em algo que ela precisou aprender a guardar em silêncio.
Mas Maiara nunca parou.
Continuou jogando na temporada de clubes, enfrentando as melhores atletas do país, treinando, viajando, vencendo e perdendo. Reconstruiu o próprio corpo e, principalmente, a própria confiança. Aprendeu a não esperar mais por uma convocação.
Por isso, quando recebeu o chamado para a seleção B para disputar um torneio secundário, aceitou com um sorriso.
Não era exatamente o retorno que havia imaginado.
Mas era uma oportunidade de estar novamente perto daquele ambiente que, durante um tempo importante, havia feito parte de sua vida e se tornado um sonho.
A convocação para a seleção principal veio quando ela menos esperava.
No meio de um treino.
— Maiara?
Ela se virou ao ouvir seu nome.
O treinador estava parado na entrada da quadra, segurando o celular.
— Você precisa falar com a comissão.
O coração dela acelerou antes mesmo de saber o motivo.
Minutos depois, a notícia estava dada.
Uma das atletas da seleção principal havia se lesionado. A equipe precisava de uma substituta imediatamente.
E queriam Maiara.
Por alguns segundos, ela simplesmente ficou em silêncio.
Três anos depois, a porta que ela havia aprendido a considerar fechada estava se abrindo outra vez.
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Helena, por outro lado, ainda estava aprendendo a lidar com a sensação de pertencer àquele lugar.
Aos vinte e dois anos, havia chegado recentemente à seleção adulta. Tudo parecia grande demais: os ginásios, os treinamentos, as viagens, a responsabilidade de vestir a camisa do Brasil.
E as companheiras.
Algumas eram atletas que ela admirava desde adolescente.
Maiara era uma delas.
Não que as duas fossem próximas.
Muito pelo contrário.
Elas já haviam se enfrentado algumas vezes na Superliga. Helena conhecia o estilo de jogo de Maiara, seus golpes, sua maneira de se posicionar em quadra. Maiara também sabia exatamente o que esperar de Helena do outro lado da rede.
Mas era só isso.
Adversárias.
No máximo, cumprimentos rápidos depois dos jogos.
Nunca conversaram de verdade nem tiveram motivo para isso.
Até Maiara entrar naquela sala com uma mala na mão e a notícia de que, pela logística anterior da disposição de duplas de quartos, precisaria dividir o quarto com Helena.
— Você só pode estar brincando — Helena murmurou, olhando para um membro da comissão.
Maiara soltou uma risada curta.
— Acho que não.
As duas se olharam.
Pela primeira vez, sem uma rede separando-as.
Sem uniformes diferentes, sem a pressão de um jogo.
Apenas Maiara e Helena.
Duas mulheres em momentos completamente diferentes de suas carreiras.
Uma tentando descobrir como voltar a pertencer à seleção depois de três anos.
A outra tentando descobrir como pertencer a ela pela primeira vez efetivamente.
Nenhuma das duas poderia imaginar que aquela divisão de quartos decidida por uma simples questão de logística, mudaria muito mais do que suas rotinas.
Porque, entre treinos, viagens, conversas madrugada adentro, risadas silenciosas para não acordar as companheiras e pequenos gestos que começariam a significar mais do que deveriam... algo surgiria, devagar. Quase imperceptível.
Primeiro, uma amizade.
Depois, uma confiança.
E, quando percebessem, talvez já fosse tarde demais para fingir que aquilo era apenas amizade.
Porque algumas histórias de amor não começam com um encontro.
Começam com duas pessoas que já se conheciam... mas nunca tinham realmente se enxergado.
E, naquela temporada, Maiara e Helena estavam prestes a descobrir o que acontecia quando duas vidas se encontravam no momento exato.
Entre uma partida e outra... Entre uma viagem e outra.
Entre linhas de quadra e sentimentos que nenhuma das duas sabia como nomear.
Uma história estava começando.
E nenhuma delas estava preparada para o quanto iria se apaixonar.
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Surpresas entre linhas
FanfictionUm belo dia no meio da temporada você tem uma nova companheira de quarto e seleção e em meio a uma temporada turbulenta e cheia de emoções dentro e fora das quadras você pode encontrar uma nova forma de amar
