O primeiro Olhar

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10 de janeiro de 2025 - Estúdios Disney, Los Angeles

O estúdio estava cheio de energia. Malia Baker entrou segurando a bolsa com força, os olhos percorrendo o enorme salão de ensaios enquanto atores e dançarinos se espalhavam pelo chão de madeira. A turnê World Collide prometia ser o maior projeto da Disney naquele ano - Descendants e Zombies juntos no mesmo palco.

Ela encontrou Kylie Cantrall no canto, a amiga morena acenando freneticamente.

- Malia! Anda, vai começar!

- Já vou. - Ela ajustou os cachos, prendendo-os em um coque bagunçado. Estava cansada. Tinha ensaiado a coreografia até meia-noite em casa, porque não queria passar vergonha no primeiro dia. Treze projetos nas costas, mas essa turnê era diferente. Maior. Mais assustadora.

E então ela viu ele.

Malachi Daniel Barton estava no centro do estúdio, em pé ao lado de Mekonnen, rindo de algo que o amigo tinha dito. Ele tinha a camiseta branca parcialmente molhada de suor - já devia estar ensaiando há horas. Os cabelos ondulados caíam sobre a testa, e ele passou a mão por eles com um movimento natural, como se nem percebesse o efeito que causava.

Malia parou de respirar.

Não era só a altura - 1,92 de pura presença. Não era só o corpo forte, as tatuagens que escapavam pela manga, o sorriso fácil que parecia iluminar tudo ao redor. Era a forma como ele se movia. Como se a música já estivesse correndo nas veias dele, mesmo em silêncio. Como se cada gesto fosse coreografado, mas ao mesmo tempo completamente espontâneo.

- Malia? - Kylie puxou seu braço. - Você tá bem? Parece que viu um fantasma.

- Eu... - Ela engoliu em seco. - Quem é aquele?

Kylie seguiu seu olhar e riu.

- Malachi Barton. Você não conhece? É o galã dos Zombies.

- Eu sei quem ele é. - Malia forçou a voz a sair normal. - Só não sabia que ele era... assim.

- Assim como?

- Assim... - Malia gesticulou, perdendo as palavras. - Assim.

Kylie arqueou uma sobrancelha, mas antes que pudesse provocá-la, o coreógrafo bateu palmas.

- Todo mundo no lugar! Vamos começar!

O ensaio foi um borrão. Malia executou os movimentos no piloto automático, mas seus olhos não conseguiam parar de voltar para Malachi. Ele dançava como se o chão fosse dele. Cada giro, cada passo, cada inclinação de cabeça - tudo parecia feito sob medida para aquele corpo longo e forte.

E então, no intervalo, ele se aproximou.

- Malia, certo? - A voz dele era grave e quente, como um violoncelo.

Ela sentiu o estômago dar um nó.

- Sim. Malia Baker.

- Eu sei. - Ele sorriu. - Adorei seu trabalho em Decendentes. Você é muito talentosa.

- Obrigada. - A palavra saiu mais fina que o normal. - Eu também admiro seu trabalho.

Mentira. Ela não tinha assistido a nenhum filme dele. Mas naquele momento, ela teria dito qualquer coisa para manter aquele olhar escuro fixo nela.

- Se precisar de ajuda com a coreografia, me avisa. - Ele deu de ombros, um gesto casual que fez o coração dela disparar. - A transição do refrão é complicada.

- Vou lembrar.

Ele piscou - piscou - e voltou para o grupo.

Malia ficou paralisada.

O Outro Lado da História Stories to obsess over. Discover now