Maomao organizava suas amadas plantas medicinais no canto do pavilhão quando uma sombra familiar bloqueou a luz da lua. Ela não precisou se virar para saber quem era. O tilintar sutil dos ornamentos de cabelo e o perfume exótico de flores raras entregavam sua identidade imediatamente. Era Loulan - ou Shisui, como Maomao preferia chamá-la em pensamentos.
- Você ainda está acordada, pequena apotecaria? - a voz de Loulan ecoou, descontraída e carregada de uma provocação suave.
Maomao suspirou, guardando uma raiz de ginseng na gaveta de madeira.
- O palácio é um lugar perigoso para andar de madrugada, Lady Loulan. Especialmente para alguém com tantos segredos.
Loulan soltou uma risada baixa e caminhou lentamente até Maomao, diminuindo o espaço entre elas. Seus trajes luxuosos roçaram nas vestes simples de Maomao. Com a ponta dos dedos delicados, Loulan tocou o queixo de Maomao, forçando-a a erguer o olhar. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que Maomao raramente via durante o dia, quando Loulan usava sua máscara de indiferença cômica ou alienação.
- E você não adora segredos, Maomao? Achei que gostasse de desvendar mistérios... e venenos.
- Loulan inclinou o rosto para mais perto, os lábios quase tocando a orelha da apotecaria.
O coração de Maomao deu um salto involuntário. Ela tentou manter sua habitual expressão estóica, mas a proximidade de Loulan fazia o ar parecer mais denso. Maomao olhou fixamente para os lábios da concubina. Sabia que aproximar-se de Loulan era como brincar com uma substância altamente tóxica. Era perigoso, imprevisível e, para alguém como Maomao, absolutamente fascinante.
- Alguns venenos são fatais no primeiro toque - murmurou Maomao, a voz um pouco mais rouca que o normal.
- E outros... causam uma dependência da qual você não quer se curar - retrucou Loulan, quebrando a distância restante.
O beijo foi suave no início, um testar de limites na penumbra do quarto. Mas logo se tornou profundo e urgente, como se ambas soubessem que o tempo delas no palácio era emprestado. As mãos de Maomao, antes hesitantes, subiram para a nuca de Loulan, segurando os fios de cabelo sedosos, enquanto Loulan a puxava pela cintura, colando seus corpos.
Para Maomao, o toque de Loulan tinha o gosto da lagarta venenosa mais rara ou da flor mais letal: uma ardência que subia pelas veias e paralisava a razão.
Quando finalmente se afastaram, as respirações estavam curtas. Loulan encostou a testa na de Maomao, um sorriso genuíno e melancólico dançando em seus lábios. Ela deslizou um pequeno frasco de vidro na mão de Maomao.
- Um presente. Use com cuidado.
Antes que Maomao pudesse dizer qualquer coisa, Loulan se afastou e desapareceu na escuridão do corredor tão silenciosamente quanto havia chegado. Maomao olhou para o frasco em suas mãos e depois para a lua através da janela, sentindo o calor ainda mais vivo em seus lábios. Ela sabia o perigo que corria, mas, pela primeira vez, não se importava em ser consumida por aquele veneno.
