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Eu Conheço Alguém.

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Era uma segunda-feira, Ana estava sentada em seu escritório na redação, digitando freneticamente a nova matéria sobre o músico Xavier, o nome que estava nas paradas de sucesso do pop brasileiro. Nas horas vagas, quando não estava gravando seu talk show, ela era responsável pela coluna de entretenimento do Jornal Digital: InfoAki. Os dedos corriam pelo teclado enquanto ela revisava pela última vez uma declaração do cantor que constava no último parágrafo, até que o celular sobre a mesa começou a tocar. Ana olhou para a tela e reconheceu o nome de Helena, a dona da Escola de Teatro das Novas Artes de São Paulo. Suspirou, revirando os olhos.

Atendeu no terceiro toque.

— Helena, quanto tempo! - Ana disse, com um pequeno sorriso que não alcançou os olhos. — A que devo a honra da ligação?

— Ana, meu amor! Foi você quem esqueceu de suas velhas amigas.

— Nunca! - Ana respondeu rapidamente. — Lembro da senhora todo dia.

— Sei. - Helena riu do outro lado. — Deve ser por isso que precisei ligar para lembrar que eu existo.

Ana soltou uma risada baixa.

— Não começa. Minha memória é excelente, só não tenho tempo para usá-la.

— Continua a mesma.

— Infelizmente.

— Hoje estou ligando para pedir um favor, mas, da próxima vez, pretendo marcar um café. E dessa vez não vou aceitar você dizendo que está ocupada.

— Então já está querendo me comprometer?

— Estou querendo tomar um café com uma amiga que vive dizendo que não tem tempo para ninguém.

— Helena, você sabe que eu trabalho. Todos sabem!

— Eu sei. Você trabalha, grava, escreve, dá entrevista, aparece na televisão... — Helena listou, divertindo-se. — Mas ainda consegue reclamar que não tem tempo.

— Reclamar faz parte da rotina.

Helena riu novamente, mas logo seu tom mudou.

Ana percebeu.

— Mas, falando sério... — Ana disse, já com pouca paciência. — O que você quer?

— Na sexta-feira haverá uma peça com os alunos da Novas Artes. — Helena fez uma pequena pausa. — Sei que você é bastante ocupada, mas queria que desse um jeitinho de passar aqui. Tenho um nome incrível entre eles.

Ana, que ainda revisava a matéria enquanto falava ao celular, parou de digitar.

— Helena...

— Antes que você diga não, deixa eu explicar.

Ana bufou.

— Você sabe que eu não me envolvo mais com esse tipo de matéria.

— Eu sei.

— Então por que está me pedindo? — perguntou, um pouco mais grossa.

— Porque eu confio no seu olhar.

Ana ficou em silêncio por alguns segundos.

— Você sabe que isso já deu problema uma vez.

— Eu sei. E justamente por isso estou te pedindo para ir sem compromisso.

Ana recostou-se na cadeira.

— Helena, da última vez eu fui ajudar porque você me pediu. Só por isso. Não prometi nada para ninguém.

— Eu sei. - Helena respondeu, parecendo conhecer aquela história de cor e salteado.

— E, mesmo assim, quando as coisas não saíram como esperavam, a história acabou sobrando para mim.

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