Sandronia - As Histórias da Súcubo

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Sandronia — As Histórias da SúcuboPrólogo: A Taverna da Lua Roxa

A chuva caía sobre Sandronia como se os próprios céus tivessem decidido lavar as ruas naquela noite.

As estradas de pedra estavam cobertas por pequenas correntes de água, as carroças avançavam lentamente pela lama e os viajantes que ainda se encontravam na estrada procuravam desesperadamente qualquer lugar onde pudessem escapar do frio.

Entre eles estava um casal.

— Você poderia pelo menos parar de andar tão rápido? — reclamou Elian, segurando a capa contra o corpo.

— E você poderia parar de reclamar de tudo? — respondeu Mariel, sem sequer olhar para ele.

Silêncio.

Os dois continuaram caminhando lado a lado.

E, apesar de estarem tão próximos, pareciam separados por quilômetros.

Eram casados havia três anos.

Ainda se amavam.

Esse era justamente o problema.

Nos últimos meses, pequenas discussões haviam se transformado em grandes brigas. Olhares desviados, palavras engolidas, noites dormindo de costas um para o outro.

E havia outra coisa.

Uma coisa que nenhum dos dois tinha coragem de mencionar.

A falta de carinho.

A falta de intimidade.

Aquele desejo que ainda existia, escondido debaixo de dias cansativos, orgulho e ressentimento.

Os dois queriam se aproximar.

Nenhum queria ser o primeiro.

— Está com frio? — perguntou Elian finalmente.

Mariel apertou os braços contra o corpo.

— Não.

— Está tremendo.

— Eu disse que não.

Ele suspirou.

— Certo.

— Certo.

Mais alguns passos.

Então Mariel avistou uma luz ao longe.

Uma placa de madeira pendia sobre uma construção grande de pedra, iluminada por lanternas violetas.

Nela estava escrito:

🌙 A TAVERNA DA LUA ROXA 🌙

Abaixo do nome havia o desenho de uma lua crescente cercada por pequenas estrelas.

Mariel parou.

— Acho que podemos passar a noite ali.

Elian olhou para o estabelecimento.

— Parece... movimentado.

De dentro vinham vozes, risadas e música.

— Melhor do que morrer congelados na estrada.

— Concordo.

Os dois entraram.

O calor os atingiu imediatamente.

A taverna era muito maior do que parecia por fora.

Havia mesas de madeira espalhadas pelo salão, uma grande lareira acesa e dezenas de velas suspensas em castiçais de ferro.

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