Capítulo I - A princesa e o aço

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O sino da torre norte tocou seis vezes naquela manhã.

Seu som atravessou os telhados escuros do castelo de Valerien e espalhou-se pelo vale como uma ordem antiga, despertando os homens dos alojamentos, as criadas que dormiam em quartos estreitos junto às cozinhas e os soldados que haviam passado a noite sobre as muralhas.

O inverno ainda não havia chegado por completo, mas o frio já se infiltrava pelas pedras.

Uma névoa espessa cobria os campos além das muralhas, escondendo as pequenas aldeias que se espalhavam pelos arredores do reino. Das torres mais altas, era possível enxergar apenas os telhados úmidos e as pontas das árvores, negras contra o céu cinzento.

Dentro do castelo, porém, a vida começava antes mesmo que o sol tivesse coragem de aparecer.

As lareiras eram alimentadas.

As cozinhas enchiam-se do cheiro de pão recém-assado, ervas e carne salgada.

Servos atravessavam os corredores carregando bacias de água quente.

E, no pátio de treinamento, o aço já começava a cantar.

Alaric conhecia aquele som.

Conhecia-o melhor do que conhecia a própria voz.

O choque de uma espada contra outra.

O arrastar das botas sobre a terra úmida.

O grito de um homem quando recebia um golpe.

O som pesado das armaduras quando os soldados se movimentavam.

Para ele, aquilo era tão natural quanto respirar.

Alaric de Montreux ergueu a espada e bloqueou o golpe que vinha em sua direção.

O impacto percorreu seu braço até o ombro.

Ele não recuou.

Girou o corpo e atingiu o adversário no peito com a parte lateral da lâmina, fazendo o jovem soldado perder o equilíbrio e cair de joelhos.

— Novamente.

O rapaz respirava com dificuldade.

— Meu senhor...

— Eu disse novamente.

O jovem levantou-se.

Alaric permaneceu imóvel diante dele.

Aos vinte e poucos anos, já carregava no rosto a expressão de alguém que havia aprendido cedo demais que um homem encarregado de proteger outros não tinha o direito de ser descuidado.

Seu cabelo escuro estava úmido pela neblina.

Alguns fios caíam sobre a testa.

A camisa de linho grudava em seus ombros por causa do suor, enquanto a espada permanecia firme em sua mão.

Ele não era o homem mais alto entre os soldados.

Nem o mais velho.

Mas havia algo nele que fazia os outros silenciarem quando entrava em uma sala.

Talvez fosse a maneira como observava.

Alaric nunca olhava apenas para um homem.

Observava suas mãos.

Seus pés.

A posição da espada.

A respiração.

O menor movimento antes de um ataque.

A Lágrima do CavaleiroCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang