Lena Luthor

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Olá, meu nome é Lena Luthor.

Se você chegou até aqui esperando encontrar uma história leve ou com um final feliz, talvez seja melhor parar por aqui.

Afinal, esta é a minha história.

E, para ser sincera, ela está longe de ser feliz.

Sempre fui uma pessoa reservada e desconfiada. Desde criança, nunca tive facilidade para fazer amizades. Enquanto outras crianças passavam as tardes correndo pelos parques ou brincando umas com as outras, eu preferia permanecer em casa, cercada por livros ou sentada à mesa da cozinha com meu pai, aprendendo um novo jogo de estratégia.

Foi ele quem me ensinou a jogar canastra, dama e xadrez. Mais do que simples jogos, eram lições sobre paciência, observação e raciocínio. Meu pai sempre dizia que vencer não significava fazer o movimento mais inteligente, mas sim compreender o próximo passo do adversário antes mesmo que ele pensasse nele.

Talvez tenha sido ali que nasceu minha obsessão por entender a mente humana.

Meu pai, Lionel Luthor, era um renomado detetive da Polícia de Nova York. Sempre que voltava do trabalho, eu corria para encontrá-lo e fazia a mesma pergunta:

— Em qual caso nós vamos trabalhar hoje?

Eu era apenas uma criança, mas ele nunca me tratou como alguém incapaz de compreender o mundo. Sentava-se ao meu lado e me explicava como pensava durante uma investigação, como analisava uma cena de crime, interpretava comportamentos e ligava pequenas pistas até formar um quebra-cabeça completo. É claro que ele sempre poupava os detalhes mais cruéis.

A parte burocrática da profissão jamais despertou meu interesse.

O que realmente me fascinava eram os criminosos.

Os assassinos.

Eu queria entender por que alguém ultrapassava a linha entre o certo e o errado. O que acontecia dentro da mente de uma pessoa para que ela fosse capaz de tirar a vida de outra? O mal nascia com ela ou era construído ao longo dos anos?

Essas perguntas me acompanharam durante toda a adolescência.

Assim que concluí o ensino médio, aos dezoito anos, ingressei na Universidade de Columbia para cursar Psicologia.

Dois anos depois, descobri que estava grávida.

Muitas pessoas imaginaram que aquele seria o fim dos meus sonhos. Achavam que eu abandonaria a faculdade e abriria mão da carreira para criar minha filha.

Mas meu pai jamais permitiu que eu desistisse.

Ele foi meu maior apoio durante toda a gravidez. Enquanto eu estudava para as provas ou passava noites escrevendo artigos, era ele quem preparava o jantar, organizava a casa e fazia questão de repetir que eu era capaz.

Quando Rose nasceu, eu prometi a mim mesma que faria de tudo para lhe dar a vida que meu pai havia me dado.

Os anos passaram depressa.

Concluí a graduação, fiz meu doutorado e, mais tarde, me tornei PhD em Psicologia Forense, especializada no comportamento de serial killers.

Era exatamente onde eu sempre quis estar.

Aos trinta e quatro anos, porém, minha vida sofreu o primeiro golpe do qual jamais conseguiria me recuperar completamente.

Meu pai morreu.

O câncer de pulmão venceu uma batalha que ele insistiu em travar durante décadas. No fim, foram os cigarros que conquistaram a única vitória que realmente importava.

Perdê-lo foi como perder o chão.

Ele sempre acreditou em mim quando ninguém mais acreditava. Foi meu mentor, meu melhor amigo e a única pessoa que nunca me deixou desistir de mim mesma.

Depois de sua morte, restamos apenas eu... e Rose.

Durante dois anos, tentei aprender a conviver com a ausência.

A dor diminuiu.

O vazio, não.

Ainda assim, eu precisava continuar.

Por ela.

Todos os dias eu me esforçava para ser, ao menos, metade da mãe que meu pai havia sido como pai para mim.

Então o aniversário de dezesseis anos de Rose se aproximou.

Passei semanas organizando cada detalhe da comemoração. Queria que aquele fosse um dia inesquecível para nós duas.

E foi.

Só não da maneira que eu imaginava.

Porque aquele seria o último aniversário em que eu veria minha filha viva...

Arquivo RoseHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora