- Não... - Eu repetia aos prantos.
Eu estava ajoelhada no chão, ao lado da cama da minha mãe, com a cabeça afundada em seu peito. Uma de minhas mãos estava entrelaçada à sua, e a outra, entrelaçada em seus cabelos.
- Não tem mais nada que podemos fazer?! - perguntei desesperada ao meu pai, que estava sentado na poltrona ao lado da minha mãe, com as mãos no rosto.
Quanto menos resposta vinha de sua boca, mais o desespero subia à minha cabeça. Segundos pareciam minutos, minutos pareciam horas e horas pareciam dias; e talvez fossem os piores dias da minha vida.
- Não, querida, ela... se foi. - Meu pai disse angustiado, antes de desabar em lágrimas.
Minha mãe estava pálida, os lábios roxos, olheiras fundas, mãos gélidas, peito silencioso, sem movimentos, sem... respiração.
Minha mãe estava muito doente, tratando um câncer sem cura. Ela descobriu um câncer no coração há pouco mais de um ano, se cuidou ao máximo que pôde, testou curas, magias, mas nada deu resultado. Não tínhamos dinheiro suficiente para contratar um médico do reino, mas o fato de minha mãe ser uma fada curandeira ajudava bastante. Ela fez o que pôde com o resto de magia que lhe restava, mas a doença tirou o que sobrou aos poucos.
Passei a mão em seu rosto, gelado. Peguei uma mecha de cabelo e coloquei atrás de sua orelha, dei um beijo em sua testa e saí antes que a porta batesse. Fui em direção aos estábulos, peguei uma sela e fui à baia de She-Ra; a baia ao lado estava vazia. Era a de Dhortan, cavalo de James. James é meu irmão, um garoto de 17 anos que intercala a vida entre estudar e trabalhar no palácio.
- She-Ra! - Chamei.
Ela logo se levantou e veio até a porta da baia. Percebeu que algo não estava certo, mas abaixou a cabeça para que eu pudesse colocar o cabresto e a sela. Saímos alguns minutos depois. Eu morava em uma pequena fazenda que ficava a poucos minutos da Floresta Fairylim. A floresta não era muito extensa, mas, além de ser ótima para passar o tempo e ficar sozinha, era fácil de se perder. A cavalo, demorava em torno de quinze minutos para chegar ao reino. Eu morava em um reino não muito distante, chamado Anémona. Ele era comandado pela família Anemore.
Não percebi o momento em que fiquei mais rápida. Minha visão começou a embaçar, lágrimas despencavam, caíam sem parar. Eu não pedia para que saíssem; elas apenas escapavam, tentando levar minha dor junto.
Lobos uivavam ao longe. O som dos arbustos e das folhas foi ficando abafado. Eu não enxergava mais nada. Minha visão estava escura, minha boca buscava palavras, e meu corpo, socorro. She-Ra relinchou, percebendo que havia algo de errado. Meu corpo estava bambo, dolorido, minha cabeça latejava de dor. Não sei onde estou, não consigo me levantar, muito menos enxergar o que está ao meu redor.
A última coisa que vejo é uma sombra se aproximando, minha mão cheia de sangue, tudo ficando escuro, calmo, silencioso e tranquilo.
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A Criada do Príncipe
FantasyUma história onde Chlayre vira a Criada do Príncipe após a morte de sua mãe
