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Kamilly
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Thiago Veigh.
Kamilly pov's: Eu sempre fui aquela garota que espalhava amor, alegria e sorrisos por onde passava. Gostava de acreditar que o mundo podia ser um lugar bonito. Mas tudo isso acabou em uma quinta-feira qualquer, às 16h30. Uma única notícia foi suficiente para destruir tudo o que eu conhecia. Minha mãe havia morrido. Aquilo rasgou algo dentro de mim. Afinal, ela era a minha mãe... e eu tinha apenas oito anos. Mal entendia o que era a vida, muito menos como continuar vivendo sem ela. Depois daquele dia, nunca mais fui a mesma. Cresci em uma casa onde amor, carinho e afeto eram sentimentos difíceis de encontrar. Meu pai sempre foi distante, frio, e as poucas palavras que dirigia a mim pareciam mais uma obrigação do que um gesto de amor. Então eu me fechei para o mundo. As roupas pretas se tornaram meu refúgio, e a expressão séria no meu rosto passou a afastar qualquer pessoa que tentasse se aproximar. Talvez tenha sido justamente nelas que nasceu o meu maior sonho: me tornar estilista. Criar roupas sempre pareceu a única forma que encontrei de transformar a dor em algo bonito. Hoje esse sonho ainda parece distante, principalmente porque quase nunca tenho tempo para persegui-lo. Mas, aconteça o que acontecer, eu sei que um dia o mundo vai conhecer o meu nome. Eu ainda vou me tornar a maior #WorldStylist.
Eu estava deitada na cama, encarando o teto, quando ouvi algumas batidas suaves na porta. - Senhora, o senhor Schmidt pediu que a senhorita fosse até o escritório dele. - O empregado disse em um tom baixo, quase hesitante, como se tivesse medo de levar uma bronca por interromper meu silêncio. - Tudo bem. Já estou indo. -Respondi sem demonstrar animação. Afinal, meu pai nunca me chamava para dar boas notícias. Calcei minha sandália e segui em direção ao escritório. A cada passo, meu coração acelerava um pouco mais. Não era medo dele... era medo do que estava prestes a ouvir. Conhecendo meu pai, dificilmente seria algo bom. Quando cheguei, bati duas vezes na porta. - Entre. - Sua voz fria ecoou do outro lado. Abri a porta lentamente. - O que o senhor queria? - Sente-se, Kamilly. - Ele apontou para a cadeira à sua frente, mantendo a expressão séria de sempre. Aquilo só aumentou minha ansiedade. - Então...? Pode falar. Meu pai respirou fundo antes de dizer, sem rodeios: - Você vai se casar com Veigh. Ou melhor... Thiago Veigh. Por alguns segundos, achei que tivesse ouvido errado. - Me casar?! Como assim? Eu só tenho vinte e três anos! E nem conheço esse homem! - exclamei, completamente indignada. - Sim, eu sei. Mas esse casamento é pelo bem da nossa família e de tudo o que construímos. Você vai entender... e, com o tempo, vai acabar gostando dele. Tenho certeza. As palavras dele soavam como uma sentença. Não havia espaço para um "não". Nunca houve. Eu nunca sonhei em me casar. Muito menos com um completo desconhecido. Antes que eu pudesse protestar novamente, ele continuou: - O casamento amanhã. Não pretendo adiar isso. Pode ir. Era uma ordem.
Levantei da cadeira completamente revoltada. Penso: "Casar? Eu? Com um desconhecido? Isso só pode ser tipo um pesadelo..." Saí do escritório sem olhar para trás e fui direto para o meu quarto. Assim que me joguei na cama, meu celular vibrou. Era uma notificação do Instagram. Lívia. Lívia: E aí, Millyzinha! Tudo bem? Bora no shopping? Tô morrendo de tédio, amiga. Um pequeno sorriso escapou dos meus lábios. Pelo menos ela conseguiria me distrair... ou pelo menos tentar. Respondi quase na mesma hora: Kamilly: Oii, amiga!! Vamos, sim. Aproveito pra te contar uma novidade... horrível.
Vesti uma roupa simples: um cropped branco, uma calça jeans e um par de tênis. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo rápido, peguei minha bolsa e desci as escadas. Assim que atravessei a porta de entrada, encontrei o motorista me esperando ao lado do carro. - Pode me levar ao shopping? Preciso encontrar uma amiga. - Falei de forma direta, sem rodeios. Soou mais como uma ordem do que como um pedido. Ele apenas assentiu. - Sim, senhora. Quem sou eu para desobedecer às suas ordens? - respondeu enquanto abria a porta do carro para mim. Entrei e agradeci com um pequeno aceno de cabeça. Ele fechou a porta, deu a volta no veículo e assumiu seu lugar ao volante. Durante o trajeto, permaneci observando a paisagem pela janela. São Paulo conseguia ser incrivelmente bonita sob o sol das duas da tarde. As ruas movimentadas, os prédios imponentes e o vai e vem das pessoas faziam a cidade parecer viva. O carro parou em um semáforo. Ao nosso lado, uma BMW preta também aguardava o sinal abrir. Sem muito o que fazer, olhei distraidamente para o veículo... e encontrei um homem sentado no banco do motorista. Bonito. Muito bonito. Por um instante, senti algo estranho percorrer meu peito. Uma sensação completamente nova, daquelas que eu nunca havia experimentado. Como se percebesse meu olhar, ele virou o rosto na minha direção. Nossos olhos se encontraram. Então, um sorriso de canto surgiu em seus lábios. Meu coração pareceu falhar por um segundo. Rapidamente, desviei o olhar e fechei a janela, virando o rosto para o outro lado. "O que foi isso?" Nem eu sabia explicar. Talvez... eu só tivesse ficado nervosa pela primeira vez. Poucos segundos depois, o sinal ficou verde. O ronco dos motores quebrou o silêncio, e nosso motorista arrancou, fazendo a BMW desaparecer aos poucos no trânsito de São Paulo.
Não demorou muito para chegarmos ao shopping. Mas, durante todo o caminho, havia apenas uma coisa ocupando meus pensamentos. Aquele homem. Seu sorriso de canto insistia em voltar à minha mente, como se estivesse gravado nela. Balancei a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. "Que droga, kamilly. Você nem conhece esse cara." Assim que entrei no shopping, avistei Lívia sentada em um dos bancos, mexendo no celular enquanto me esperava. Quando me viu, abriu um sorriso enorme. - Oiii, miga! Ela se levantou e me envolveu em um abraço apertado. Sorri de verdade pela primeira vez naquele dia. - Oii! Como você tá? Lívia me analisou por alguns segundos antes de responder: - Eu tô bem... mas você claramente não. Aconteceu alguma coisa? Começamos a caminhar pelos corredores do shopping. Soltei um longo suspiro. - Infelizmente, sim. Meu pai enlouqueceu. Ele quer que eu me case. Você acredita nisso? -Revirei os olhos, completamente irritada. Lívia arregalou os olhos. - Sério? Meu Deus... isso é horrível! Mas você pelo menos sabe quem é esse seu futuro "marido"? Neguei com a cabeça. - Não conheço. Só sei o nome dele. Fiz uma pequena pausa antes de continuar. - Thiago Veigh. Lívia esperou que eu dissesse mais alguma coisa. - Eu nem faço ideia de quem ele seja. Aposto que deve ser um daqueles caras metidos, que só pensam em dinheiro e negócios. -Cruzei os braços. - Eu não posso me casar, Liv. Tenho só vinte e três anos... Ela me olhou com carinho. - Eu sei, amiga. Mas... e se ele não for tão ruim assim? Suspirei. - Difícil acreditar nisso. Ela sorriu de lado e segurou minha mão. - Chega de pensar nesse casamento por hoje. Vamos à Prada! Vi que lançaram uma coleção nova, e eu tenho certeza de que você vai amar. Sem perceber, um sorriso escapou dos meus lábios. - Eu também vi! As peças estão simplesmente maravilhosas. Passamos o resto da tarde entre vitrines, provadores e sacolas de compras. Por algumas horas, consegui esquecer completamente o casamento. Só por algumas horas. Quando dei por mim, o céu já estava escuro. Eram oito da noite quando o motorista me deixou em casa. Kamilly pov's: Subi direto para o meu quarto. Depois de um banho quente, vesti meu pijama roxo e preto, fiz minha rotina de skincare e me joguei na cama. Nem me preocupei em jantar. Já tinha comido no shopping. Apaguei a luz e encarei o teto. Amanhã. Era amanhã que eu conheceria Thiago Veigh. O homem que meu pai havia escolhido para ser... meu marido. E, pela primeira vez em muito tempo, o sono parecia não querer chegar.