Capítulo 1: O Lugar ao Lado

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Pov do autor : Há pessoas que parecem feitas de silêncio. Elas passam pelo mundo como se fossem sombras, mantendo o rosto baixo, a voz contida, os sentimentos guardados em cofres que só elas conhecem. Si-eun sempre foi assim. Aprendeu cedo que demonstrar fraqueza não era permitido, que o choro era coisa de quem não aguenta, que o amor devia ser rigoroso e duro — lições que o pai repetia todos os dias desde que a mãe partira. Ele construiu uma parede ao redor de si mesmo: calma, inabalável, fria. E achou que ninguém jamais conseguiria atravessá-la. Até que uma voz cheia de vida bateu à sua porta sem pedir licença.

~~~~~~~~~~~~~ começo~~~~~~~~

Si-eun entrou na sala no horário exato, como sempre fazia. Passou pelos corredores sem olhar para os lados, sentou-se na penúltima carteira perto da janela — seu lugar há anos —, colocou a mochila ao lado, tirou o caderno e o lápis, e ficou ali, imóvel, observando o movimento sem participar. O barulho ao redor — risadas, empurrões, conversas altas — parecia bater em uma barreira invisível. Ele conhecia quase ninguém, e quase ninguém o conhecia de verdade. Para os outros, ele era apenas "o menino sério", "o esnobe", "o frio". Si-eun não se importava. Ou pelo menos achava que não.

Até que uma mala bateu forte na carteira ao lado, fazendo-o levantar o rosto de um salto.

— Opa! Desculpa, foi sem querer mesmo! — gritou uma voz animada, cheia de energia, antes mesmo que ele pudesse abrir a boca


Parado ali estava um menino de sorriso largo, cabelos pretos despenteados, olhos que brilhavam como se carregassem o sol dentro deles. Ele se jogou na cadeira com uma naturalidade que fez Si-eun piscar duas vezes, sem saber como reagir


— Eu sou Su-ho! — estendeu a mão quase batendo na mesa. — Você é novo aqui? Nunca vi você por aí


Si-eun olhou para a mão estendida, depois para o rosto sorridente, e respondeu baixo, com a voz controlada:

SI - eun— Não sou novo. Só não costumo falar muito.

— Si-eun — repetiu Su-ho, provando o nome devagar. — Nome bonito. Mas por que fala pouco? Tem cara de quem tem muito o que dizer. Ou é daqueles que acha todo mundo muito chato?

A pergunta veio direta, sem rodeios, e fez Si-eun sentir o rosto esquentar — coisa que ele sempre lutava para esconder.

— Não acho ninguém chato. Só prefiro o silêncio.

— Silêncio é bom até umas horas — disse Su-ho, se inclinando um pouco mais, invadindo seu espaço pessoal com uma intimidade que ninguém nunca tivera. — Mas sozinho fica meio sem graça, não acha?

Si-eun não respondeu. Ficou olhando para o quadro, mas sentia cada movimento do menino ao lado: o bater ritmado do lápis, a respiração calma, o cheiro suave de sabão fresco. Anos mantivera todos afastados com seu ar distante. Mas Su-ho parecia não ver barreiras.

No meio da aula, quando a professora explicava matemática, Su-ho virou-se de novo:

— Você entendeu? Porque eu fiquei perdido. Mas você deve ter entendido tudo, né? Parece ser o tipo certinho.

— Entendi — respondeu Si-eun sem olhar. — Posso explicar depois, se quiser.

— Quero muito! — sorriu Su-ho ainda mais. — E sabe o que mais? Você tem uma voz muito bonita. Devia usá-la mais.

Si-eun sentiu o coração dar um salto forte. Ninguém nunca dissera isso. Ninguém nunca notara sua voz como algo bom. Virou o rosto devagar e encontrou os olhos brilhantes de Su-ho — e ali, naquele instante, sua parede rachou.

Ao fim da aula, guardou tudo devagar. E quando levantou o olhar, Su-ho ainda esperava, apoiado na mesa.

— Vamos comer algo? Você me explica a matéria e eu te mostro que o mundo fora dos livros também vale a pena. Prometo não falar demais... ou tento.

Si-eun abriu a boca para recusar — era o que sempre fazia. Mas ouviu-se dizer:

— Vamos.

Caminharam lado a lado. Si-eun quieto, ouvindo Su-ho falar de jogos, músicas, sonhos. E a cada palavra, ele sentia algo novo: a vontade de ficar ali.


                                                            autor

oiiii, eu achei muito fuleiro mas decidi escrever mesmo assim espero que gostem

continuando.....

pov autor : Muitas vezes, o que vemos de primeira é só a ponta do iceberg. Si-eun pensou que aquele menino barulhento iria cansar e ir embora em poucos dias. Ele não sabia que Su-ho não era de desistir — principalmente quando encontrava algo que realmente valia a pena. E Su-ho, por sua vez, nunca imaginou que o menino de poucas palavras iria se tornar a coisa mais importante do seu mundo

Enquanto caminhavam pelo corredor, Su-ho falava sem parar, mas de vez em quando parava e olhava de lado para Si-eun, como se estivesse decorando cada detalhe do rosto dele.

— Você fica vermelho de novo — sorriu Su-ho, apontando devagar. — É fofo, sabia? Não precisa esconder.

Si-eun virou o rosto, mas não conseguiu segurar um sorriso quase invisível nos lábios.

— Ninguém nunca me disse isso.— Pois então estão todos cegos — disse Su-ho com firmeza, mas sem gritar. — Você é diferente dos outros. Não no sentido ruim. No sentido de que você parece ver coisas que ninguém mais vê.

Chegando ao pátio, sentaram-se num canto afastado. Su-ho dividiu o seu lanche sem perguntar, colocando metade na mão de Si-eun.

— Coma. Você deve passar fome com essa calma toda. Às vezes esquece até de comer.

Si-eun segurou o pão com cuidado, sentindo o calor da mão de Su-ho tocar a sua por um instante rápido.

— Obrigado.— Não precisa agradecer. Daqui pra frente eu cuido de você. Se você deixar, claro.

Naquele momento, Si-eun percebeu que aquela promessa não era brincadeira. E pela primeira vez, ele não quis fugir.

Opostos que se atraem shseStories to obsess over. Discover now