New Jersey, Nova York
MetLife Stadium
- Neymar, aquece. Você entra no segundo tempo.
A frase, dita por um dos auxiliares técnicos, acende uma nova chama dentro de mim.
O rugido dos gritos ao meu redor faz cada músculo do meu corpo vibrar.
O estádio todo parecia respirar ao mesmo tempo, a cada toque na bola mais de oitenta mil pessoas prendiam o ar por segundos antes de gritos que faziam meu peito vibrar ecoarem em pura energia.
E, em um jogo decisivo como aquele, ela era indispensável. Bastava um único erro, um deslize, para que o sonho acabasse e a viagem terminasse mais cedo.
Durante todo o primeiro tempo, o Brasil dominou a partida de forma incontestável. Gabriel Magalhães e Rayan faziam um trabalho magnífico na marcação de Haaland, e a prova disso estava no placar: 0 a 0.
Mesmo com o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, conseguimos manter a calma. Fechamos a pequena área, suportamos a pressão e impedimos que a Noruega aproveitasse nosso momento de fragilidade emocional.
O que já era um grande feito. Eu havia vivido situações em que a equipe desmoronava ao primeiro sinal de dificuldade.
Eu conhecia aquele lugar.
Já tinha sentido o medo de mais uma derrota paralisar meu corpo por completo, enquanto a minha própria mente me derrotava antes mesmo dos adversários. Por isso, ver aqueles garotos tão jovens, e também os veteranos que haviam sofrido ao meu lado nas Copas anteriores, conseguirem se recompor era, ao mesmo tempo, inspirador e doloroso.
Começo uma sequência de alongamentos e um trote leve para aquecer.
Logo no primeiro movimento, uma forte ardência percorre toda a minha perna esquerda, lembrando-me do verdadeiro motivo de eu não ter começado a partida.
Do motivo de não ter assumido a responsabilidade pela primeira cobrança de pênalti.
Meu corpo já não era capaz de suportar noventa minutos de um jogo em alta intensidade.
Engulo o gemido de dor e ignoro a voz - assustadoramente parecida com a dele - que insiste para que eu recuse entrar em campo. A mesma voz que, há semanas, dizia que eu não deveria ter pressionado nem cobrado favores para disputar aquela Copa.
No telão é refletido meu rosto cansado, anunciando a substituição, preciso desviar os olhos e respirar fundo com a vergonha de me ver mancando em exibição para todos ao meu redor.
Aos 67 minutos do segundo tempo, finalmente entro em campo ao lado de Endrick. Um garoto de dezenove anos que, de forma dolorosa, me lembra de todos os erros que cometi... e que, a cada dia, parecia caminhar para repetir exatamente os mesmos.
- Vai dar tudo certo, Ney. - O mais baixo sorri de orelha a orelha. - Você vai acabar com esses gigantes noruegueses.
Solto uma breve risada pelo nariz e bagunço seus cachos escuros.
- Quero você correndo por esse campo inteiro. Vou te procurar em todas as bolas.
Resmungo as palavras enquanto o quarto árbitro ergue a placa, autorizando a substituição.
- Pode deixar. Vou estar sempre lá para receber seus passes.
O garoto responde cheio de entusiasmo antes de sair correndo em direção ao meio-campo.
Eu queria sentir o mesmo otimismo que ele, mas a verdade era que Endrick tinha muito mais chances de decidir aquela partida do que eu.
As minhas horas já haviam acabado, por mais que eu me agarrasse, com todas as forças, à esperança de que ainda restasse uma última oportunidade.
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The Last Chance
FanfictionAos trinta e quatro anos, Neymar vê o maior sonho da carreira morrer pela última vez. Entre derrotas, arrependimentos e escolhas que nunca poderá desfazer, ele acredita que chegou ao fim da sua história. Mas, quando tudo parece perdido, o destino lh...
