Eu nunca gostei do inverno.
Talvez porque o inverno me lembrasse que algumas coisas precisam morrer, pra elas nascerem de novo.
As árvores perdiam suas folhas, os jardins ficavam mais vazios e o céu parecia carregar uma tristeza que ninguém conseguia explicar.
Eu achava injusto.
Por que algo tão bonito precisava passar por uma fase tão difícil?
Naquela manhã, eu estava sentada no chão do meu quarto, olhando pela janela a chuva cair sobre o jardim da minha casa. As gotas escorriam pelo vidro como se estivessem tentando encontrar um caminho.
Eu me sentia exatamente assim.
Tentando encontrar um caminho.
— Catarina? — ouvi a voz da minha mãe do outro lado da porta.
Limpei rapidamente minhas lágrimas.
— Pode entrar — Digo levantando do chão
— Filha... — Ela diz entrando
Eu sabia que aquele tom.
Era o tom de quando ela queria conversar, mas não sabia como começar.
— Eu estou bem, mãe.
Mentira.
Mas era a frase que eu mais dizia.
Eu estou bem.
Mesmo quando não estava.
Mesmo quando meu coração parecia pesado demais.
Mesmo quando as coisas dentro de casa pareciam estar desmoronando aos poucos.
Meu pai e eu éramos muito parecidos.
Esse era o problema.
Nós dois éramos teimosos demais para admitir quando estávamos errados.
Vitor Santos era um homem bom. Eu sabia disso.
Mas às vezes o amor não impede as pessoas de se machucarem.
Às vezes duas pessoas podem se amar muito e ainda assim não conseguirem conversar sem transformar tudo em uma guerra.
Naquela noite, ouvi mais uma discussão.
As vozes vinham da cozinha.
Eu não queria escutar.
Mas algumas dores entram pela porta mesmo quando a gente tenta fechar.
— Eu só queria que ela fosse feliz — ouvi minha mãe dizer.
— Eu também quero! — meu pai respondeu.
Fiquei parada no corredor.
Eles estavam falando de mim.
Sempre parecia que eu era o motivo de tudo.
Voltei para o quarto e fechei a porta.
Foi quando meus olhos encontraram uma pequena planta em cima da minha escrivaninha.
Um lírio.
Minha avó tinha me dado quando eu era criança.
Eu lembrava dela segurando minha mão enquanto plantávamos flores no jardim do Sítio Esperança.
"Não tenha pressa, Catarina", ela dizia.
"Até as flores precisam do tempo certo para abrir."
Na época eu achava bonito.
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O Tempo das Flores.
Romance**O Tempo das Flores** 🌸 Catarina Santos sempre acreditou que algumas coisas deveriam acontecer no seu próprio tempo. Mas, aos 16 anos, ela sente que sua vida está desmoronando rápido demais. Entre conflitos dentro de casa, sonhos deixados de lado...
