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Prólogo

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O céu parecia formar a aurora mais estranha que já se vira em anos, reluzente a ponto de quase encobrir as estrelas. Ali naquela sala espaçosa, com uma mesa de centro de madeira e estofados cor de marfim, havia um garotinho magricela, com roupas de dormir. Taiji olhava para fora, esperando notícias do quarto de sua mãe, estava ansioso, e mexia seus pequenos pés para frente e para trás na cadeira. 

Queria ver sua irmã.

Os olhos azuis do menino fitaram novamente a aurora lá fora, quase encantado, sabia, mesmo com seus jovens oito anos de idade, que sua irmã seria muito importante. Fora por isso que seu pai virara duque, a anos atrás, como sua ama sempre lhe contou, o barão, hoje duque de Kurkstein, prometeu ao rei sua total fidelidade, e assim, ganhou de profecia da santa da nação, uma senhora já de idade, portadora das palavras do deus Noctis, uma certeza: haveria de ter mais uma filha, uma menina linda, que se tornaria a santa que dominaria os três elementos de magia de Noctissol.

Taiji não entendia muito bem o que era uma santa, mas sabia que era especial, e não queria decepcionar seus pais perguntando demais, então ficou ali quieto, na sala paralela ao quarto de sua mãe, encarando seu pai, andando de um lado para o outro, e alguns servos e cavaleiros.

Assim que a noite caíra, sua mãe entrara em trabalho de parto, era uma noite linda, mas uma data quase sagrada, a mesma data em que nascia o príncipe herdeiro da nação. Ele sabia, ouvira os sinos do palácio. Era uma data única, festiva e especial. Foi então que seu pai parou, assim que ambos ouviram um choro, e apressado quase invade o quarto, quando ouviu outro, parecido com o primeiro choro, mas todos ali sabiam. Eram dois bebês.

O duque tinha certeza que ouvira dois choros, e não esperou a parteira lhe chamar, bateu na porta e entrou. Taiji ficou lá fora, com medo de que brigassem com ele por ter sido imprudente.

A duquesa estava na cama, cansada, com seus olhos tremeluzindo na luz fraca do quarto, e ao lado, sendo limpos com água corrente, estavam dois bebês.

- São meninas meu lorde, gêmeas idênticas.

O duque se aproximou das crianças, olhando os pés e contando os dedinhos, fazendo com que a parteira sorrisse.

- Sua esposa já fez isso, são saudáveis, um pouco pequenas mas lindas.

Ele não conseguia ver uma diferença sequer nelas, mas então, acalentadas no peito da mãe, ele pôde ver elas abrirem seus olhos a primeira vez. 

- Olhe Kairo, nossas meninas puxaram seus cabelos loiros.

- São lindas meu amor, iguais a você. - O duque ajoelhou-se ao lado da cama e carinhosamente beijou a testa da esposa. - Deixe que abram os olhos novamente, e saberemos que nome daremos a elas.

E assim foi feito, naquela mesma noite, Taiji, sem conter sua curiosidade juvenil, entrou no quarto, silenciosamente, colcoando apenas a cabeça pela fresta da porta e ouvindo seus pais olharem suas irmãs. Seriam duas irmãs! Nunca mais haveria de ficar sozinho brincando enquanto tivesse elas! Ele pensou sorridente. Pareciam tão pequenas e frágeis perto de seu pai, ele era um homem grande, largo e musculo, enquanto elas pareciam filhotes de cachorro bem pequeninas.

- Essa é Esmeralda, - Disse sua mãe, com os olhos brilhando de alegria ao ver que a filha carregava os olhos do marido. - Essa meu amor, é nossa santa.

- Ela tem meus olhos, isso é claro, assim como disse a profecia.

- Exatamente, devemos batizá-la com um nome que reflita essa preciosidade.

- Então a outra menina se chamará como minha senhora? - Perguntou o secretário do duque, anotando em papel timbrado para mandar avisar ao rei.

- Bem... - A mãe olhou os olhinhos azuis de sua segunda filha, uma menina quietinha que até então chorara apenas uma vez. - Esta será Safira. 

- Está perfeito Reigh. Envie agora mesmo ao palácio as boas novas.

Taiji, fugiu da porta, voltando a sua cadeira próximo a janela, e sorriu pequeno.

- Minhas irmãs tem nomes de princesas, Mary. - Ele disse olhando a babá, sorrindo para ele se contendo para não repreender o menino.

- E elas são Taiji. As únicas princesas do reino de Noctissol.

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