# **Capítulo 1**
Quando eu era criança, pensava que mentir era simples.
Era dizer uma coisa que não aconteceu.
Era esconder um objeto quebrado.
Era culpar outra pessoa.
Era fugir de um castigo.
Foi isso que me ensinaram.
Ninguém me ensinou o que acontece depois.
Ninguém explicou que uma mentira não termina quando é acreditada.
Ela começa.
As pessoas imaginam que o sofrimento pertence a quem descobre.
Pertence, às vezes.
Mas existe um sofrimento muito mais silencioso.
O de quem precisa acordar todos os dias e lembrar exatamente quem fingiu ser no dia anterior.
Porque a verdade tem memória.
A mentira exige memória.
E ela nunca se cansa de cobrar.
Conheci pessoas que perderam amizades por causa de uma mentira.
Conheci outras que perderam a própria identidade.
Elas sorriam.
Conversavam.
Trabalhavam.
Apaixonavam-se.
Mas havia sempre um pequeno instante...
Um segundo quase invisível...
Em que os olhos procuravam uma saída antes da próxima pergunta.
É curioso.
A maioria das pessoas acredita que mentir é esconder a verdade.
Eu acho que mentir é outra coisa.
É construir uma vida onde a verdade já não consegue entrar.
Talvez seja por isso que algumas pessoas não suportam o silêncio.
No silêncio, ninguém lembra quem você disse que era.
Só sobra quem você realmente é.
E, às vezes, isso assusta mais do que ser descoberto.
Foi exatamente assim que tudo começou.
Não com um crime.
Não com um corpo.
Nem com uma carta.
Começou com uma frase tão pequena que ninguém lhe deu importância.
"Está tudo bem."
Era mentira.
E foi a mentira mais cara de toda a minha vida.
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A MENTIRA QUE NINGUÉM VÊ
RomanceA Mentira Que Ninguém Vê Até onde uma pessoa consegue fugir da própria realidade antes de esquecer quem realmente é? Ela aprendeu a criar versões de si mesma. Versões mais fortes, mais interessantes, mais fáceis de amar. Aos poucos, a linha entre aq...
