Despedida

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Mon Amour...

Relutei tanto para começar a escrever, que quando finalmente pude colocar minhas palavras para fora elas sumiram. Nunca fui o tipo de mulher que lamentava perdas, ou que se arrependia por algo. Vivi intensamente, cometi erros, fui impulsiva, ardilosa e muitas vezes inconsequente. Só que nada me preparou para o baque que é encontrar o amor da minha vida e perder ele tão repentinamente. Mesmo que fosse algo programado, nada te prepara para perder a pessoa que você mais ama no mundo.

É estranho perceber como muitas coisas mudam dentro de si. Uma mulher confiante, segura de si, no final se tornou uma mulher fria, fechada emocionalmente e que lamenta diariamente a falta do amor.

Nunca fui o tipo romântica, muito pelo contrário, sempre fui devassa, mas ser devassa não excluía o fato de se afeiçoar e se entregar completamente a alguém, como me entreguei a você Markus.

Desde o primeiro dia... desde o primeiro olhar. Enquanto eu dançava no palco e você me observava de modo tão predatório. Seus olhos azuis me chamaram como uma hipnose maluca. Eu nunca mais esqueci seus olhos. Procurei você por todo canto e por muito tempo achei que tinha perdido a oportunidade de saber quem era você.

Não sei se foi amor à primeira vista, mas ali naquele primeiro olhar já me vi completamente presa a você.

Agora o que eu faço se sinto a cada segundo a falta do calor deles em cima de mim? O que eu faço com a vontade de voltar ao tempo para reviver nossa historia mil vezes ? para voltar a sentir seus toques?Seu abraço?Seu conforto? Como vou prosseguir se te amar foi tão intenso que tornou o mundo completamente monótono sem você?

Sei que estou piegas mon cherry, acredito que nunca viu uma versão minha tão pra baixo ou reflexiva. Devo ter te dado muito trabalho com meu gênio explosivo, meu ar desafiador e meus momentos futeis( que acredito que não foram poucos) . Fato no qual não mudou muito desde que partiu. Eu só não vejo mais graça em meus chiliques por cosméticos baratos, roupa cafona ou ambiente sujo. É triste na verdade passar por esses momentos sem você. Quem vai me acudir agora enquanto ri dos meus ataques ?

Preciso aprender a me recompor sozinha.

Markus... me questiono... porque me deixou? Porque me deixou sozinha? Com dois filhos para serem criados? Como posso lidar com tudo sem você aqui para ser meu alicerce? Meu Porto Seguro?
Me sinto desamparada, sem chão.
Eu não sei ser uma líder nata como você, não sei ganhar respeito por imposição. Me sinto perdendo a linha em tudo.

Eu só queria que você voltasse. Se você voltasse tudo acertaria. Tudo voltaria ao normal. Poderíamos deixar a sociedade com Darwin, escolher um canto só nosso e cantaria no seu ouvido todos os dias enquanto curtíamos a presença um do outro.

Eu sinto imensamente sua falta a cada segundo do meu dia. Sabe, sempre vi a eternidade como um dádiva, pois significaria que teria toda uma eternidade com você.

Só que agora, de quê valeria a pena a eternidade se significa conviver com sua perda?
A eternidade sem você me parece o pior martírio de todos. Talvez eu neste momento só desejasse ser humana, pois não há sentido viver tantos anos sentindo sua falta.

Seja onde for que esteja, não acredito que vampiros possam ter algum tipo de alma, mas me agarro com a única esperança de que de alguma forma você me acompanha dando forças para suportar tudo.

Só que sendo bem sincera... está sendo muito foda.

Me espere Markus, encontrarei alguma forma de encontrar você. Não acho que nosso amor seja fraco o bastante para ser vivido em uma única vida. Estarei todos os dias buscando uma forma de encontrar você.

Mesmo que passe toda eternidade buscando isso.

Não vou lhe aborrecer muito mais com minhas palavras sem sentido, mas prometo voltar e te escrever, já que agora é a única forma que tenho para falar com você.

Seu eterno amor, Audrey Le Russe.

Cartas eternas ao meu amorStories to obsess over. Discover now