A porta de madeira maciça da diretoria se fechou com um baque suave, isolando o silêncio do corredor. Doona permaneceu de pé, com a postura ereta e as mãos cruzadas à frente do corpo, mantendo o semblante calmo de sempre.
Atrás da grande mesa de mogno, o Diretor Park ajustou os óculos e suspirou, olhando para os relatórios de desempenho escolar sobre a mesa.
— Doona, obrigado por vir tão rápido. Sei que seu tempo é precioso com os preparativos da representação de turma — começou o diretor, mantendo um tom cordial.
— Sem problemas, Diretor Park. Em que posso ajudar? - respondeu Doona, inclinando levemente a cabeça em sinal de respeito.
O homem cruzou os dedos sobre a mesa e olhou diretamente para ela.
— Vou direto ao ponto. A família Kim me procurou recentemente. Os pais de Yuna estão extremamente preocupados com o desempenho acadêmico dela. Como você sabe, o pai dela é um grande amigo meu de longa data... Eu vi a Yuna crescer, era uma garota brilhante quando criança, mas ultimamente ela parece completamente desligada dos estudos e de qualquer convívio social.
Doona apenas assentiu em silêncio, ouvindo atentamente.
— Eu gostaria de pedir um favor pessoal e acadêmico a você — continuou o Diretor Park. - Quero que você se aproxime da Yuna. Preciso que você a ajude com os estudos, com as matérias em que ela está acumulando notas baixas, e que tente integrá-la mais com a turma. Sei que você é a pessoa mais capacitada e responsável do primeiro ano para conseguir construir essa ponte.
Doona piscou, um pouco surpresa com o pedido. Ela e Kim Yuna praticamente não trocavam duas palavras por semana, limitando-se aos avisos formais de representante de classe.
— Entendo a situação, Diretor — disse Doona, ponderando as palavras. — Se for para ajudar no rendimento da turma e no apoio aos estudos, farei o meu melhor para organizar um cronograma com ela.
— Excelente. Sabia que podia contar com você, Doona — o diretor sorriu, aliviado. - Pode começar quando achar conveniente. Acredito que um pouco da sua disciplina fará muito bem a ela.
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O som do sinal indicando o fim das aulas ecoou pelos corredores, rapidamente tomado pelo burburinho dos alunos apressados para ir embora. Doona organizou seus cadernos na mochila de forma impecável, ajustou o uniforme e olhou para o canto da sala. A carteira de Yuna já estava vazia.
Sabendo exatamente onde procurar, Doona caminhou em direção aos fundos do prédio principal, perto da antiga estufa desativada - um canto silencioso e pouco frequentado, famoso por ser o refúgio dos alunos desatentos.
Ao virar a esquina do pavilhão, Doona avistou Yuna encostada contra a parede de tijolos aparentes, com uma das pernas dobradas e o uniforme propositalmente desalinhado. A fumaça fina subia lentamente entre seus dedos antes que ela apagasse o cigarro contra a parede ao notar a aproximação.
— A representante de classe num lugar desses? - Yuna arqueou uma sobrancelha, mantendo a voz tranquila e o olhar desinteressado. — Veio me dar uma advertência por estar no lugar errado na hora errada?
— Se eu fosse te dar uma advertência a cada detalhe fora do regulamento, passaria o dia inteiro preenchendo fichas - Doona respondeu com calma, parando a uma distância respeitável. — Vim falar com você sobre outro assunto.
— Assunto? — Yuna soltou um riso fraco, guardando as mãos nos bolsos do casaco. — Achei que nossas únicas interações fossem você me entregando as folhas de avisos ou pedindo para eu assinar a chamada.
— O Diretor Park me chamou na sala dele antes do último horário.
O nome do diretor fez Yuna mudar sutilmente a postura, tensionando de leve os ombros, embora tentasse manter a fachada de indiferença.
— Ah, o 'tio' Park - Yuna debochou suavemente, desviando o olhar para o pátio vazio. — O que ele queria?
— Seus pais estão preocupados com as suas notas, e o diretor pediu para eu montar um grupo de estudos com você - explicou Doona, sem rodeios, mas mantendo um tom neutro. — Ele quer que eu te ajude a recuperar as matérias acumuladas para o próximo trimestre.
Yuna encarou Doona por alguns segundos, examinando a expressão séria e compenetrada da garota.
- E você aceitou assim, de primeira?
- Aceitei porque é meu dever como representante apoiar quem está com dificuldades, e também porque acredito que você é perfeitamente capaz se tentar - Doona deu um passo à frente, ajustando a alça da mochila. - Não estou aqui para julgar seus hábitos ou sua vida pessoal, Yuna. Só quero garantir que você não mofe no primeiro ano.
Yuna olhou fixamente para Doona, surpresa com a firmeza e a falta de julgamento na voz da garota.
- Você é realmente muito certinha, Lee Doona - Yuna suspirou, balançando a cabeça com um meio sorriso irônico. - Mas tá legal. Se é o único jeito de fazer o diretor e meus pais saírem da minha cola por uma semana... Quando começamos?
- Amanhã, na biblioteca, logo após o término das aulas - respondeu Doona, permitindo-se um leve e discreto sorriso. - Não se atrase.
- Não vou.
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Linhas Paralelas
FanfictionO Colégio Privado Sungwon era conhecido por duas coisas: a disciplina impecável e o peso dos sobrenomes que cruzavam seus portões. Para os alunos do primeiro ano do ensino médio, a rotina costumava ser um ciclo sem fim de simulados e cobranças. Mas...
