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Dois mundos.

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Eduarda POV

Segunda-feira, 08:17

O trânsito de São Paulo estava exatamente como eu esperava para uma segunda-feira de manhã: completamente parado.

Eu observava os carros pela janela do banco de trás enquanto o motorista tentava encontrar algum caminho alternativo que, provavelmente, também estaria parado. Era uma daquelas manhãs em que eu já tinha respondido mais mensagens do que deveria, recebido três ligações que poderiam perfeitamente ter sido e-mails e, para completar, tinha uma reunião marcada para dali a quarenta minutos.

— Você vai se atrasar — minha assistente avisou do banco da frente.

Olhei para o relógio no painel.

— Eu sei.

— A reunião é com os investidores.

— Eu sei disso também, Helena.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

— Você está de bom humor hoje.

Soltei uma risada curta.

— Estou ótima.

Helena olhou para mim pelo retrovisor com aquela expressão que dizia claramente que ela não acreditava em absolutamente nada do que eu falava.

Eu não podia culpá-la.

A verdade é que eu não estava exatamente de mau humor. Só estava cansada. Havia uma diferença enorme entre as duas coisas, embora quase ninguém soubesse distinguir.

Aos vinte e oito anos, eu tinha aprendido a funcionar mesmo quando estava cansada. Era praticamente uma habilidade profissional.

Eu era Eduarda Fragoso.

Empresária.

Diretora executiva da Fragoso Group.

Uma das mulheres mais jovens a comandar uma empresa daquele tamanho em São Paulo.

E, para completar, filha única de Henrique Fragoso, o homem que havia construído tudo aquilo antes de decidir que era hora de entregar a responsabilidade para mim.

Eu tinha uma vida que, olhando de fora, parecia perfeita.

Talvez fosse exatamente por isso que eu raramente contava para alguém quando não estava.

Meu celular vibrou novamente.

Olhei para a tela.

Mais uma mensagem.

REUNIÃO — 09:00.

Revirei os olhos.

— Se você olhar para essa mensagem mais uma vez, ela não vai desaparecer — Helena comentou.

— Eu sei.

— Então por que continua olhando?

— Porque eu estou esperando que ela desapareça.

Dessa vez ela riu.

E eu também.

Era assim que funcionava. Eu reclamava. Ela fingia que não estava preocupada. Eu fingia que não estava cansada. E nós duas seguíamos em frente.

Quando finalmente chegamos ao prédio, o relógio marcava 08:49.

Saí do carro ajeitando o blazer e caminhei em direção à entrada.

As pessoas me cumprimentavam pelo caminho.

— Bom dia, Eduarda.

— Bom dia.

Entre o silêncio e o caos Stories to obsess over. Discover now