A areia de Dorne ainda queimava sob os pés, mesmo com o sol já baixo no horizonte. Daenaera Targaryen observava o Castelo de Lança Solar se aproximar, suas torres douradas refletindo a luz alaranjada do entardecer. O vento quente do deserto bagunçava seus cabelos prateados, tão diferentes de tudo ali.
Ela não sentia remorso. Não havia uma única fibra em seu corpo que se arrependesse do que fizera em Driftmark.
- Princesa Daenaera - a voz do capitão da guarda que a escoltara soou quase como um alívio. - O Príncipe Qoren Martell a aguarda.
Ela assentiu, mantendo a postura ereta. Exilada. A palavra ainda ecoava em sua mente como um trovão distante. Seu pai, Viserys, o rei, a despachara como quem se livra de um objeto inconveniente. E tudo porque ela ousara dizer a verdade que todos sussurravam nos corredores da Fortaleza Vermelha.
Bastardos.
Os filhos de Rhaenyra eram bastardos. Todos sabiam. Mas apenas Daenaera tivera a coragem - ou a imprudência - de dizê-lo em voz alta.
O portão principal se abriu com um rangido metálico, e ela foi conduzida através de pátios adornados com fontes e palmeiras. Tão diferente de Porto Real. Tão diferente de Pedra do Dragão. Ali, o calor não era úmido e opressivo, mas seco, quase purificador.
Qoren Martell a recebeu no salão principal, ladeado por sua herdeira, a jovem Aliandra, que observava a princesa Targaryen com curiosidade mal disfarçada. O Príncipe de Dorne era um homem de meia-idade, pele bronzeada e olhos escuros que carregavam a sabedoria de quem governava a única região que resistira aos dragões.
- Princesa Daenaera - ele disse, sua voz neutra, mas não hostil. - Seu pai nos enviou uma carta. Diz que você ficará sob nossa... custódia.
- Custódia - ela repetiu, um sorriso amargo nos lábios. - Uma palavra elegante para exílio.
Aliandra inclinou a cabeça, os cabelos negros caindo sobre o ombro.
- Ouvimos o que aconteceu. Que você montou Vhagar. Que enfrentou um príncipe e o derrubou.
- Luke Velaryon tentou me mutilar - Daenaera corrigiu, erguendo o queixo. - Ele veio com uma adaga. Eu apenas me defendi. Vhagar me escolheu. Ninguém a reivindicara. Nem Laena estava fria em sua tumba, e já disputavam a dragão como se fosse um brinquedo.
Qoren Martell trocou um olhar com a filha.
- Você não nega os insultos que proferiu.
- Não - Daenaera sustentou o olhar do príncipe. - Porque eram verdade. E continuam sendo.
Um silêncio pesado se instalou no salão. Daenaera esperava repreensão, talvez até ameaças de mandá-la de volta. Mas, para sua surpresa, Qoren Martell soltou uma risada curta, seca como o deserto.
- Os Targaryen têm um dom para o drama - ele comentou, recostando-se em seu trono entalhado. - Brigas de família, dragões, acusações de bastardia. E nós, os dorneses, somos chamados de selvagens.
Aliandra sorriu abertamente agora, aproximando-se de Daenaera com passos leves.
- Você monta o maior dragão vivo, princesa. E está exilada em Dorne. O que pretende fazer?
Daenaera olhou para o horizonte, onde o sol finalmente se punha, pintando o céu de vermelho e dourado. As cores de sua Casa. As cores do sangue e do fogo.
- Meu pai quer que eu escreva uma carta de desculpas - ela disse, a voz calma, mas carregada de algo profundo e perigoso. - Para Rhaenyra e seus filhos.
- E você pretende escrever? - Qoren perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Daenaera virou-se para encará-lo, e em seus olhos violetas brilhava a chama ancestral de sua linhagem. A chama que dobrara Westeros. A chama que não se curvava, não se desculpava, não se rendia.
- Vhagar está nas montanhas a leste - ela disse, ignorando a pergunta. - Vou visitá-la amanhã. Uma dragão não deve ficar muito tempo sem seu cavaleiro.
Aliandra soltou uma exclamação abafada, divertida e impressionada. Qoren Martell apenas balançou a cabeça, mas havia respeito em seu olhar.
- Dorne é um lugar de exílio para muitos - ele disse, por fim. - Mas também é um lugar de recomeços. Fique conosco, princesa Daenaera. Aprenda nossos costumes. Talvez descubra que o deserto tem mais a oferecer do que as cortes que a rejeitaram.
Naquela noite, Daenaera Targaryen jantou com os Martell. Comeu tâmaras doces e cordeiro temperado com especiarias que queimavam a língua. Ouviu histórias de Nymeria e seus dez mil navios. Riu pela primeira vez em semanas.
Mas, quando se recolheu a seus aposentos, com a brisa quente entrando pela janela aberta, ela não escreveu a carta.
Em vez disso, pegou uma folha de pergaminho e começou a rascunhar planos. Mapas de Dorne. Rotas de voo para Vhagar. Alianças possíveis.
Se Viserys Targaryen pensava que o exílio a domaria, estava enganado. Ela era uma Targaryen. Sangue do dragão. E dragões não pedem desculpas.
Dragões voam.
Não esqueçam de colocar 🌟...
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Asas e Sol na Tempestade de Areia
RomanceAemond Targaryen reencarnou como uma mulher depois da Batalha Acima do Olho de Deus contra o príncipe Deamon Targaryen, mais os Deuses da Antiga Valyria e os Sete o reencarnaram como mulher. Sendo ela chamado de princesa Daenaera Targaryen. E na no...
