Prólogo - Capítulo 1 - Ruído de Fundo

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No início, não existia nada. Um completo e infinito perpetuamento de um nada sufocante. Não havia escuridão, pois a própria escuridão exigiria espaço, e o espaço não existia ali. Tudo o que havia era o Zero. Ele não era vazio, silencioso ou sequer possuía morte. O Zero era a ausência absoluta de qualquer tipo de possibilidade.

Foi então que um lampejo de luz passou a existir no meio infinito do Zero: o Nexus. Ele não nasceu, não foi criado. Apenas surgiu, como se a própria inexistência tivesse falhado pela primeira vez em toda a sua eternidade.

O Nexus era infinito e proporcionalmente instável à sua própria infinitude. Energia sem matéria. Consciência sem corpo. Movimento sem direção. E, quando começou a se expandir, provocou a primeira reação existente. A partir dela, nasceu a primeira manifestação da realidade. Assim surgiu aquilo que futuramente seria conhecido como universo. Não através de uma simples explosão, mas como a propagação impossível de uma energia primordial, poderosa e absoluta. Correntes de Nexus atravessaram o Zero e forçaram o nascimento de leis fundamentais, capazes de reger e sustentar o funcionamento de uma nova existência.

E, a partir do nascimento dessas leis universais, surgiram os Conceituais. Eles não eram deuses ou entidades superpoderosas, mas funções cósmicas conscientes. Fenômenos tão antigos que sequer possuíam nomes ou identidades. A Vida foi responsável por abrir os caminhos da evolução e conceder o sopro vital à primeira célula viva do universo e de todas as outras que se sucederiam a vir. A Morte ficou encarregada de impor limites à constante expansão do infinito e de tudo aquilo que não possuía um fim. O Tempo organizou os eventos do universo em uma sequência cósmica e imaculada. Do menor movimento do mais insignificante átomo ao nascimento do maior corpo celeste, tudo deveria ocupar seu lugar na linha temporal. O Espaço tornou-se responsável por dar distância a todas as coisas existentes: planetas, seres vivos e até mesmo partículas microscópicas. E, por fim, nasceu a Realidade, incumbida de unificar todos os conceitos e leis em uma única estrutura estável e tangível.

Com as leis universais sendo regidas pelos Conceituais, o universo pôde continuar sua expansão infinita em relativa estabilidade. Estrelas surgiram da condensação do Nexus em matéria. Galáxias formaram-se em sequência, como uma vasta rede nervosa cósmica atravessada por correntes energéticas invisíveis. Mundos nasceram. Sistemas se formaram e colidiram simultaneamente. A criação tornou-se contínua, caótica e inevitável.

Mesmo com tudo o que foi criado, o Nexus permanecia instável. Em certas regiões do universo, sua densidade alcançava níveis tão absurdos que colapsava em um único ponto do espaço, deformando a matéria e a própria realidade ao redor. E foi em uma dessas regiões remotas que surgiu uma massa concentrada de Nexus, resultando em um planetóide que futuramente seria chamado de lar por uma sociedade de seres vivos.

O planetóide não nasceu de forma natural. Seu núcleo condensava uma quantidade colossal de Nexus Primordial, comprimida por bilhões de anos até se transformar em uma espécie de coração de energia pura e viva. O mundo começou a se desenvolver em camadas ao redor desse núcleo. Primeiro vieram as massas minerais, depois os oceanos, a atmosfera e, por fim, os continentes. Porém, os elementos daquele planeta não eram compostos apenas por matéria química comum. Eles carregavam fragmentos das forças fundamentais que participaram da criação do universo.

O fogo daquele mundo possuía impulso próprio. As marés armazenavam ressonâncias espirituais de momentos passados. As montanhas absorviam memória energética. E os ventos transportavam partículas invisíveis de Nexus através das correntes de ar que atravessavam o planeta. A vida surgiu inevitavelmente naquele mundo, acompanhada também pelo nascimento das almas. Cada ser vivo passou a carregar pequenas quantidades de Nexus em sua estrutura espiritual. Na maioria das criaturas, porém, essa energia permanecia inativa durante toda a existência.

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