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Prólogo.

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Estou correndo.

Não sei para onde.

Não sei de quem estou fugindo.

Só sei que preciso chegar até ela.

Meus ombros esbarram em corpos.

Pessoas gritam alguma coisa que não consigo entender.

O ar está pesado, cheio de fumaça e cinzas.

Meus pés escorregam na lama.

Quase caio.

Continuo correndo.

— Esperem!

Minha voz sai quebrada.

Ninguém me escuta.

Ou talvez ninguém queira escutar.

O som dos sinos ecoa acima de mim.

Alto.

Insistente.

Fazendo meu coração bater cada vez mais rápido.

Empurro mais uma pessoa.

Depois outra.

Estou chorando.

Nem percebi quando comecei.

— Por favor!

Alguém segura meu braço.

Eu me solto.

Alguém tenta me impedir.

Eu empurro.

Preciso chegar até ela.

Preciso.

Então eu a vejo.

E o mundo para.

Ela está no centro da praça.

Amarrada a um poste.

As mãos presas atrás das costas.

O vestido sujo de fuligem.

O rosto coberto de lágrimas.

Meu peito se parte ao meio.

— Não.

A palavra mal sai.

Dou um passo à frente.

Depois outro.

Mas mãos me seguram.

Muitas mãos.

Me puxam para trás.

Me impedem de chegar perto.

— Soltem-me!

Eu me debato.

Chuto.

Arranho.

Luto contra quem quer que esteja me segurando.

Não importa.

Nada importa.

Só ela.

Ela levanta a cabeça.

Os olhos encontram os meus.

E, mesmo de tão longe, sinto alguma coisa dentro de mim se despedaçar.

Porque ela não parece assustada.

Não comigo.

Não naquele momento.

Ela parece triste.

Como se estivesse sofrendo mais por mim do que por si mesma.

As lágrimas escorrem pelo seu rosto.

Mas ela sorri.

Um sorriso pequeno.

Doloroso.

Lindo.

Como se estivesse tentando me confortar.

As chamas começam a subir.

Eu grito.

Não sei o quê.

Talvez o nome dela.

Talvez uma oração.

Talvez apenas um pedido desesperado para que aquilo pare.

Ela continua olhando para mim.

E então move os lábios.

Quatro palavras.

Palavras que não consigo ouvir.

Mas que, de alguma forma, compreendo.

"Não foi sua culpa."

— NÃO!

O fogo explode ao meu redor.

O calor queima minha pele.

A fumaça invade meus pulmões.

Tudo desaparece.

E eu acordo sem ar.

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