Capítulo 1

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Há pessoas que acreditam que o lugar onde nascemos define quem somos. Eu nunca concordei com isso. Se fosse verdade, meu lar seria Phoenix. Mas não era. Meu lar tinha cheiro de pinheiros molhados, café recém-passado e chuva. Meu lar era Forks."

A chuva em Forks nunca pedia licença. Ela apenas caía. Às vezes fina como uma cortina transparente, às vezes pesada o suficiente para fazer o telhado ranger durante a madrugada. Depois de seis anos morando ali, eu já nem percebia mais. Era uma vida simples. E eu gostava dela. Muito mais do que da vida em Phoenix. Ainda me lembrava da conversa que mudou tudo.

  "Quero morar com o papai." 

Eu tinha dez anos quando disse aquilo para minha mãe. Renée chorou. Charlie ficou completamente perdido. Bella tentou me convencer de que eu sentiria saudades. E senti. Mas também descobri que precisava de estabilidade. Precisava de um lugar para chamar de casa. Forks virou esse lugar. Mesmo sendo pequena. Mesmo chovendo quase todos os dias. Mesmo parecendo esquecida pelo resto do mundo.

O som da água batendo contra o telhado era quase uma música de fundo constante. Dormia melhor quando escutava a chuva. Estudava melhor quando ela tamborilava contra as janelas. Até o silêncio parecia diferente em Forks.

Era um silêncio vivo. Cheio do vento passando pelas árvores. Do canto distante dos corvos. Do rio correndo atrás da nossa casa. Eu gostava daquilo. Gostava tanto que, às vezes, esquecia completamente que havia morado em outro lugar.

— Amelia!

Abri um dos olhos.

— Hm?

— Você está acordada?

Olhei para o despertador.

6h04.

Fechei os olhos novamente.

— Infelizmente.

A risada do meu pai veio do corredor.

— Então levanta.

— Não posso.

— E por quê?

Puxei o cobertor até o nariz.

— Ainda estou negociando com a minha cama.

Charlie suspirou teatralmente.

— Você tem dez minutos.

— Quinze.

— Dez.

— Doze.

Silêncio. Sorri sozinha.

— Sabia que eu ia ganhar.

— Você puxou sua mãe nessa mania de negociar tudo.

Levantei imediatamente.

— Então quer dizer que eu ganhei?

— Só levanta logo.

Ri enquanto escutava seus passos descendo a escada. Charlie nunca admitiria. Mas eu sabia exatamente quando ele estava sorrindo.

Meu quarto era simples. Uma cama de madeira encostada na parede. Uma estante cheia de livros. Fotografias espalhadas pelo mural de cortiça. Uma delas sempre chamava minha atenção. Eu e Bella. Ela tinha doze anos. Eu, dez. As duas completamente molhadas depois de tentarmos brincar na chuva enquanto mamãe gritava da varanda para entrarmos. Sorri sem perceber. 

Sentia falta dela. Todos os dias. Bella ligava sempre que podia. Mandava cartas. Fotos. Contava histórias de Phoenix. Falava do calor absurdo, dos colegas de escola, da bagunça que era viver com Renée. Eu respondia contando sobre Forks. Sobre Charlie. Sobre Billy. Sobre Jacob. Sobre a chuva. Sempre a chuva.

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