Em um jogo, só se tem dois resultados: a felicidade da vitória e a decepção da derrota. No futebol vai um pouco além disso. Há jogos que têm um peso a mais. Seja por ser a final de um campeonato ou pelo histórico de rivalidade entre os times.
Kaya Havertz sabia bem como era jogar sob pressão. Ela podia não ser quem sempre fazia os gols — já que era lateral direita —, mas várias investidas partiam dela para iniciar o contra-ataque, assim como defender a área do gol quando alguma ameaça se aproximava. Isso significava ter alta resistência e ser bastante veloz.
O jogo contra o Manchester United estava empatado em 2x2. Era um clássico. E o time que vencesse avançaria para as quartas de final da WSL.
Ela já estava há 80 minutos em campo. Tendo iniciado como titular, ela estava esgotada.
A bola estava nos pés de Elisabeth Terland para bater uma falta pro United. O juiz apitou e ela chutou direto para a área. A defesa afastou, mas a posse continuava no time vermelho.
Kaya correu para interceptar o passe e iniciar um contra ataque. Durante todo o jogo, essa havia sido sua função, marcar e não deixar a Winger do time adversário avançar com a bola.
Ao pegar a bola, Kaya acelerou ainda mais, desviando e driblando as adversárias. Apesar de olhar principalmente na direção do gol, Kaya não via brecha com três jogadoras a cercando. Seus olhos foram rapidamente para as colegas de time, pensando no que fazer.
Charlotte Thomas, a meio campista camisa 10 de seu time, era a única mais livre. Kaya cruzou para ela quando viu o espaço.
Charlotte recebeu o passe no peito e não demorou muito com a bola no pé e chutou em direção ao gol.
A goleira saltou, dando um soco na bola. Escanteio. Enquanto praticamente todas as jogadoras se amontoavam em torno da pequena área do United, Charlotte foi bater o escanteio.
— Larga — Kaya falou seco balançando o braço para afastar a adversária, mas não obteve grande sucesso. Ao longo de sua carreira, a maioria dos seus gols foram por conta de escanteios. Sendo uma excelente saltadora, ela era consideravelmente perigosa nesses momentos.
O juiz apitou e Charlotte chutou. A bola veio em sua direção e Kaya saltou bem alto para impedir de ser interceptada e jogou a bola bem no canto da rede.
A bola roçou as pontas dos dedos da luva da goleira antes de entrar.
Ela havia marcado.
Um grito saiu de sua garganta enquanto a morena corria para a beira do campo, na direção da arquibancada onde havia a maior concentração de roupas azuis. O público gritava animado. Kaya praticamente colocava o time com um pé nas quartas, desde que conseguissem segurar a pressão nos minutos finais.
Suas companheiras de time logo a alcançaram. Alguém pulou em suas costas, mas ela estava tão eufórica e cansada, com lágrimas escorrendo em seus olhos, que nem ligou de saber quem era.
Recebeu de suas colegas palmas em suas costas e alguém mexeu em seu cabelo, bagunçando um pouco seu rabo de cabelo.
Kaya arrancou o elástico azul dos cabelos e amarrou de novo o cabelo enquanto voltava a sua posição para recomeçar a partida após o gol.
O restante da partida passou como um borrão e quando o apito final tocou Kaya se jogou na grama, levando as mãos ao rosto enquanto chorava. Ela nem mesmo entendia porque chorava. Não era sua primeira vez jogando em um time grande ou sequer participando de um campeonato importante, mas ela estava emocionada. Ou talvez fosse só a exaustão quebrando seu controle emocional.
— Havertz, steh auf! — Anja Bäum, meio campista e a única outra alemã de seu time, a chamou, a mandando levantar. Coincidentemente, ela era sua melhor amiga, tendo as duas ido juntas ao mesmo clube de base quando ainda eram adolescentes, e, agora, anos depois elas voltaram a jogar juntas no mesmo time.
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Born to Win (Erling Haaland)
FanfictionA defensora alemã e o atacante noruegues do Manchester City. Ela, acostumada a defender Ele, acostumado em atacar Ela, acostumada a impedir os avanços Ele, acostumado a golear Ele carregava o legado de seu pai. Ela estava sempre à sombra de seu i...
