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Às vezes eu me pergunto se a vida avisa quando está prestes a mudar.

Se existe algum sinal escondido no céu, um frio diferente na barriga ou qualquer coisa que prepare a gente para o momento que vai dividir nossa história entre o "antes" e o "depois".

No meu caso...

Não teve absolutamente nada. --eu só acordei atrasada...

O despertador tocou às sete da manhã.

Ignorei.

Cinco minutos depois, tocou de novo.

Ignorei outra vez.

Na terceira vez, já irritada, estiquei o braço para o criado-mudo e desliguei o celular quase jogando ele no chão.

Tá bom, eu já acordei... — resmunguei para um quarto completamente vazio.

Morar sozinha tinha dessas.

Às vezes eu conversava comigo mesma... o que era loucura confesso..

Levantei devagar, ainda sonolenta, e caminhei até a janela. -O sol já iluminava boa parte da cidade, e algumas pessoas caminhavam apressadas pela calçada em frente ao prédio.

Mais um dia comum...-Ou pelo menos era isso que eu pensava.

Prendi meu cabelo em um coque desajeitado, coloquei minha camiseta favorita — uma enorme, que provavelmente já deveria ter ido para o lixo — e fui direto para a cozinha.

O apartamento era pequeno, mas era meu.

A cozinha dividia espaço com a sala, havia apenas um quarto e uma varanda minúscula onde eu insistia em manter algumas plantas vivas.

Insistia.

Porque cuidar delas definitivamente não era meu ponto forte.

Enquanto a cafeteira fazia seu trabalho, apoiei os cotovelos na bancada e fiquei olhando pela janela,respirei fundo.Minha rotina era praticamente a mesma fazia meses.

Atender pacientes.
-Estudar.
-Mandar currículos.
-Atualizar meu LinkedIn.
-Fazer cursos.
-Mandar mais currículos.
-Esperar respostas.
-E quase nunca receber alguma.

Suspirei.

Às vezes era difícil continuar acreditando,nutrição esportiva sempre foi meu sonho.

Desde criança.

Enquanto meus colegas sonhavam em ser médicos, atrizes ou jogadoras de vôlei, eu dizia que queria trabalhar nos bastidores do esporte.

Queria entender como o corpo funcionava.Como uma refeição podia melhorar o desempenho de um atleta.
Como pequenos detalhes faziam diferença em grandes competições.

Lembro até hoje da primeira vez que entrei em um centro de treinamento.

Eu devia ter seila uns doze anos.

Meu pai conseguiu ingressos para assistir a um treino aberto do time da cidade.

Enquanto todo mundo prestava atenção nos jogadores, eu observava outra pessoa.

Uma mulher...

Ela conversava com os atletas, entregava garrafas, fazia algumas anotações em uma prancheta e parecia conhecer exatamente o que cada um precisava.

Papai... quem é ela? — perguntei.

Ele olhou na direção que eu apontava.

— A nutricionista do clube filha,maneiro né ?

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