"Eu sinto tanta dor..." os lamentos daqueles pensamentos manifestavam-se de seus lábios secos como breves gemidos, enquanto seu corpo debatia-se, tentando se livrar das amarras, mas não era nada além de outra tentativa frustrada.
E talvez a última delas.
"Quanto tempo já se passou?" Ela questionava a situação mesma, mas há muito já havia perdido a resposta, e sequer dia ou noite haviam para as estrelas a acompanharem.
"Este é mesmo o fim?" Indagava, incrédula com o próprio destino. Seus olhos já não refletiam mais brilho, seu cabelo verde vomumoso era a única coisa que alivia suas costas de um contato direto contra aquela parede áspera qual seu corpo forçadamente "repousava" com seus braços erguidos ao alto da torre, suas pernas eram livres peso de tão fracas que já estavam e também pois: poderiam a danificar.
"Eu não posso... Por favor..." Seus olhos miravam ao teto, provavelmente já alucinando.
Ou talvez vendo algo que manifestou-se somente em sua mente.
A luz ao fim do túnel, pareceria antes mesmo do dia?
Recusou a oferta de seu próprio subconsciente.
Ela queria viver
Ou tentar viver, pelo menos uma única vez.
Suas memórias, seu nome, sua origem... Tudo isso estava enterrado em camadas profundas. Esqueceu-se de seu verdadeiro eu pelos traumas que vivenciou neste lugar.
Mas mesmo passando por tanto, sua única sorte foi o próprio sadismo de seus inimigos e da pessoa qual ela mais tinha ódio.
Mas para manter seu valor, como o único ,"espécime puro" remanescente naquele lugar. Pouparam sua dignidade, aos comuns, toca-la trazia consequências que poucos estavam dispostos a sofrer, e os que sofreram... Não importam mais
Mas salvar o corpo não salvava a mente.
O cheiro podre daquele lugar parecia mais forte do que nunca, há muito tempo atrás ela lembrava de ter ouvido muitos gritos e até barulho do sangue jorrando de outras celas, mas já era algo qual estava acostumada.
Era uma prisão tortuosa, distante de qualquer outra vida que existia naquele lugar. E o pouco que vivia ali, sofria o restante de suas vidas. Um lugar para as "sobras" daquela maldita criatura.
Era o maior prazer que aquele demônio tinha, mesmo que fosse contra a própria espécie, alimentar aquele desejo o fazia satisfeito.
Porém ele era orgulhoso e queria conquistar algo.
E como não pode, e não quer que mais ninguém o tenha
Decidiu descartar, sem repensar.
Este era o caso daquela garota.
"Será que... Mesmo perecendo nesse lugar... Não... Não posso..." Queria imaginar que mesmo que seu corpo caísse nestas terras malditas, havia um flagelo de esperança. Ela acreditava num lugar branco e azul, mas não lembrava seu nome.
Mas não, não queria partir dessa maneira
Sofrer era horrível, mas morrer era algo qual ela jamais queria cogitar.
Ela pode ter se esquecido de muita coisa, mas jamais dá vontade que tinha de viver.
Mas aquele silêncio entre suas correntes e seu corpo debatendo-se seria quebrado pelo eco de vozes distantes e desconfortantes, aquelas coisas gostavam de deixar bem claro que estavam se aproximando. O som de algo metálico batendo constantemente contra grades de metal, cada vez mais próximo...
"Ah... Eles estão vindo..." Pensou enquanto suspirava. Chegou a hora ou iam somente zombar de sua existência como sempre?
Demônios carcereiros, vestidos em armaduras de placas leves, suas asas falhas e chamuscadas sempre expostas junto de suas feições tenebrosas e seus chifres contorcidos, aquelas malditas criaturas.... Eu as odiava com todo meu ser.
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OverChains In Hell
FantasyAprisionada no inferno a mais tempo que sua mente pode se recordar, ela desperta em seus últimos momentos um poder que pode a libertar.
