O telefone tocou e Love já estava debaixo das cobertas. Acordou buscando o aparelho e atendeu sem olhar quem ligava. A voz sonolenta fez com que atendesse sem muita paciência.
- Alô, quem é?
- Oi! - A voz suave falou do outro lado.
- Milk?
- Sim! Desculpe ligar tão tarde.
Love sentou rapidamente na cama e olhou o visor do celular para ter certeza de que não estava sonhando.
- Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu. Eu não aguento mais a pressão de minha mãe e queria saber se você teria outro lugar para fazermos a terapia.
- Hummm... Confesso que eu tenho me sentido pressionada por sua mãe também. Deixe-me pensar. Tem a casa de praia do meu irmão em Phuket.
- Phuket? Ótimo! Quando podemos ir? Amanhã cedo?
- Como assim, pela manhã? Sua mãe precisa ser informada.
- Negativo! Se minha mãe souber, vai ser só perturbação. Venha me buscar bem cedo, antes das seis da manhã, pois às sete minha mãe já está gritando na cozinha.
Quando Milk desligou, Love percebeu que seu coração estava meio acelerado e a ansiedade tomou seu corpo de tal forma, que não conseguiu dormir novamente. Imediatamente, ligou para o irmão.
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Pela manhã, o carro de Peace parou na esquina da casa de Milk. Eram cinco da manhã. As malas já estavam na porta, quando a governanta abriu a porta para Love. Logo atrás, Milk na cadeira de rodas sorria animada.
O irmão de Love pegou as malas e colocou no carro. A governanta sorriu colocando a cadeira de Milk nas mãos de Love. Não houve diálogo. Apenas cumprimentos faciais. Um silêncio assustador na rua.
As duas seguiam em direção ao carro, que já estava ligado. O irmão de Love abriu a porta de trás, ajudou Milk a sentar e guardou a cadeira no porta malas.
O Subaru Crosstrek Azul brilhava entre os carros que já enchiam Bangkok.
Milk estava surpresa de que os irmãos Pattranite tivessem um carro tão caro, sendo que Love era apenas uma agente de limpeza. O que ela não sabia, é que o irmão de Love era dono de uma empresa particular de limpeza.
Love conversava animadamente com o irmão que estava muito feliz de conhecer a melhor jogadora de basquete do país. Mesmo lesionada e fora das quadras há um ano, nenhuma outra jogadora estava no patamar de Vosbein. Isso deixou Milk bem feliz, de ver um genuíno fã lembrando seus feitos sem menosprezar os últimos acontecimentos como os atuais.
- Ual! Que carrão! Não imaginei que vocês usariam um carro assim.
- Pronto! Começou a zoação?
- Não me entenda mal, é que eu não imaginava que uma... (pausa)
- Uma agente de limpeza?
- Uma pessoa de poucos recursos poderia obter um carro caro assim.
O irmão de Love deu uma gargalhada.
- Nossa mãe vai gostar dela (risos).
- Espere e verá! Você nem vai querer voltar para casa. - Love disse sorrindo.
Milk ficou olhando aquele ambiente. Há tempos não se divertia tanto numa conversa dentro de um carro.
Algumas horas depois, após intenso trânsito e uma travessia de barco, os três desembarcaram na ilha. Um morador local já aguardava na beira da praia e com mais um amigo levaram Milk num transporte popular até o bangalô que ficaria com Love. A cadeira de rodas foi trazida e deixada ao lado de uma mesa de madeira.
- Que lugar lindo!
- Tenho certeza de que você gostará deste lugar. Nosso pai construiu esta pequena vila e muitos desses bangalôs são de nossa família. Sinta-se à vontade. Love vai lhe mostrar o local com calma. Eu vou voltar para Bangkok. Busco vocês daqui algumas semanas.
Milk agradeceu. Love o acompanhou.
Encantada com a decoração feita de cordas, Milk ficou observando os irmãos de longe. Pensativa, nem percebeu que sorria espontaneamente.
O irmão de Love se despediu e voltou no mesmo barco em que vieram. Love voltou animada e percebendo que sorria demais, tratou de fechar a cara e voltar ao seu normal com Milk. O rosto sereno e sério da profissional de saúde.
- De quem é essa casa?
- Do meu pai.
- Mas você não mora sozinha com sua mãe?
- Sim! Meus pais são divorciados. Meu pai mora e trabalha como pescador aqui. Antes era agente de limpeza como eu e, hoje, depois que aposentou, ele trabalha com a pesca local.
- E seu irmão consegue administrar o hostel e cuidar da agência sozinho?
- Ele trabalha em Bangkok na agência de limpeza dele e administra o hostel com a ajuda da esposa e de meu pai.
Empurrando a cadeira de Milk para pôr próximo à cama, Love acabou se desequilibrando com um tapete e caiu no colo de Milk. Ambas olharam uma para outra e caíram na gargalhada. Love acabou rindo também e antes que os corpos esquentassem e as risadas se transformassem em timidez, Love levantou e buscou o lanche que já estava no bangalô.
- Fome?
- Sim!
Enquanto comiam, a vista exuberante encantava as duas. Apesar de Love já estar acostumada com a visão, a alegria de Milk fazia com que ela sorrisse naturalmente.
A praia é de frente para uma pequena duna e o vento quente do mar começava a esfriar, pois a noite começava a esfriar. Love baixou a tela mosquiteira. Já são quase cinco da tarde, horário que os ventos ficam mais fortes e a temperatura esfria bastante.
- Por que você trabalha como agente de limpeza, se tem uma casa como essa?
- Depois que meus pais se divorciaram, minha mãe precisou de ajuda. Meu irmão ficou com meu pai e eu precisei de dinheiro para ajudar minha mãe. Hoje, eu pago minhas contas com esse valor e minha faculdade está inclusa nisso. Não é um emprego qualquer!
- Por que, Fisioterapia?
- Por causa do asseio. Gosto de tudo limpo e não há nada mais limpo do que um corpo funcionando adequadamente. Mas, isso é assunto para uma depuração.
- Depura, o quê?
- Vamos, vou te ajudar a trocar de roupa e se aquecer melhor. A noite costuma esfriar. Tenho um casaco fino que vai ajudar, pois mesmo esfriando, pode ser que esquente de novo. Teremos tempo para explicações amanhã. Melhor você descansar.
- Preciso usar o banheiro.
- Fica no fundo do bangalô.
- Acho que precisarei de ajuda.
- Acho que você consegue se virar.
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Varrendo a Infelicidade - MilkLove
FanfictionMilk Vosbein é uma jogadora de basquete, que no auge de sua carreira sofreu um acidente. Love Patranitte é uma estudante de fisioterapia, que trabalha na limpeza urbana de Bangkok. As duas são obrigadas a conviver e desenvolvem um jogo, que poderá...
