Dois meses se passaram desde as primeiras sessões de fisioterapia e entre brigas, bate-bocas e belos momentos de paz, o trabalho de Love trazia uma fragrância de limpeza ao ambiente.
Os quatro YorkShires da casa observavam tudo. Dois deles puxavam os calçados de Love que estavam na porta de entrada e os outros dois olhavam atentamente os movimentos que Milk fazia e as caretas que expressava de dor ao repeti-los.
- O que foi bebês? - perguntou Milk suada enquanto se arrastava na barra de ferro tentando dar uma passo de cada vez.
Os cães a observavam, atentos e com o rabo abanando.
Atravessando a sala, a mãe de Milk alegrou-se com o progresso da filha que ainda não a tinha visto. Fez sinal para que Love não se manifestasse. No entanto, Milk a viu pelo espelho e estranhou muito a mãe se aproximar no meio de uma sessão.
- Mãe! Você precisa parar de vir no meio do tratamento. Isso tira minha atenção e deixa Love desconfortável. Ela não precisa de observação. Os Professores da universidade nos acompanham online. - Apontou para a câmera. - Sra. Vosbein cumprimentou os dois professores que estavam no telão toda sem graça.
View que sempre aparecia do nada, não vinha já fazia dois dias. Os lanches que trazia, faziam Milk se animar com a terapia e as guloseimas davam energia.
Milk fazia muito esforço nos braços para se manter de pé e Love a estimulava a só prosseguir depois que um dos pés avançasse. O cansaço era intenso e a respiração de Milk ofegante. O suor descia pela testa, a blusa molhada emanava o suor.
- Filha! Que horror! Deixe eu colocar um perfume em você.
- Sra. Vosbein! - Love disse.
- Sim, querida.
- Vou lhe pedir que saia. A senhora está atrapalhando meu trabalho e meus professores aguardam que Milk faça uma das sessões orientadas. Com a senhora aqui, ela vai mesmo perder a atenção. Suar, ela vai em todas as atividades.
A Sra. Vosbein acatou o pedido, mas ficou visível que não gostou da intervenção da jovem contratada. Para ela, Love era apenas mais uma funcionária. Saiu da sala contrariada.
Não demorou muito e os professores deram os parabéns a Milk pelo avanço, pois já ficava em pé e dava pequenos passos na barra de apoio. A conexão foi encerrada e Love ajudava Milk a sentar-se na cadeira.
- Estou cansada! - Milk disse. - Me ajude a chegar no banheiro para um banho?
Love ficou surpresa com o pedido, pois a governanta é que fazia este trabalho ao fim das sessões.
- Vou chamar sua governanta.
- Meus braços estão doendo mais que meus joelhos. Eu só preciso de ajuda para sentar na banheira e aí, você pode ir chamá-la para me ajudar com o resto.
- Ok! Vou levar você de cadeira até ao banheiro e chamá-la, assim colocamos você na banheira juntas..
-NÃO! - Milk alterou a voz. - Desculpe! Não quis gritar. Por favor, eu não quero minha governanta ou minha mãe falando o tempo todo no banheiro. Eu só quero um banho de paz. Só preciso que fique lá, quando eu terminar, você me deixa na cama e pode ir.
Love se vê pressionada e uma inquietação a corrói, pois seu corpo fica agitado.
- Melhor, não, Milk. Eu não quero que você caia de novo. Se a forçamos, pode ser pior. Antes, você nem ficava em pé. Agora, já consegue. Isso já é um avanço.
- A única coisa que vejo avançar é a intromissão de minha mãe o tempo todo.
As portas se abriram e View entrou.
- Fala, Família!
- Que bom que você chegou, View. Milk precisa de ajuda para ir ao banheiro e eu preciso ir. Você pode ajudar, não é mesmo?
- Sim, claro! - View percebeu o nervosismo da amiga assim como percebeu a cara de decepção de Milk. A sobrancelha franziu na mesma hora, percebendo que havia algo no ar.
Enquanto Love pegava a bolsa, a mãe de Milk entrou na sala.
- Já está de saída, Love.
- Sim, senhora. Tenho um compromisso.
- E como foi hoje? Progressos!
- Tudo corre como planejado.
- Tia Prew! - View chamou. - Tenha calma!
- Eu só desejo que Milk ande.
- Como todos nós, Sra. Vosbein. Eu torço para que Milk ande no tempo dela. Assim, depois, nós teremos certeza de que ela não voltará para a cadeira. Não vamos fazer nenhum esforço que possa danificar seus joelhos. Temos tempo! - Love disse enfática se despedindo de Milk com um aceno.
Milk sorriu forçadamente.
- Não temos tempo! Ela precisa ficar pronta para... - Sra. Vosbein tentou argumentar, mas foi interrompida.
- Tia Prew, por favor. - View disse se aproximando - Vamos aguardar, ok. Sem pressão, lembra?
A Sra. Vosbein confirmou com a cabeça, olhou para View com um sorriso sem graça e saiu cuspindo fogo atrás de Love. Fazia tempo que ela não ficava fora de si. Era bastante educada, mas a pressão dos patrocinadores que queriam voltar aos contratos com Milk a deixavam nervosa.
- Love!
Love já estava quase saindo da casa, quando se virou respirando profundamente.
- Sim, Sra. Vosbein.
- Quando você acha que ela andará sem os apoios?
- Como eu disse, não devemos pressioná-la para que os joelhos não travem. Em dois meses, nós já conseguimos que ela ficasse em pé com apoio das barras. Isso já é um grande avanço.
- Sei que você pediu o mínimo de um ano, mas os patrocinadores estão me pressionando. Preciso dela nos eventos, pelo menos. Quanto mais rápido ela voltar, melhor.
- Não adianta forçar agora e ela não andar mais depois.
Perplexa, Milk olhava a mãe de costas conversando com Love, nítidamente desconfortável.
- Ninguém acredita que meus fisioterapeutas me abandonaram por causa de minha mãe.
- Tirando o que você acertou o rosto, né amiga?
- Ele passou a mão em mim. O que queria? Que eu aceitasse?
- Sinto muito por isso, não vai mais acontecer. Love é mulher!
O rosto de Milk corou, mas antes que a amiga percebesse, falou:
- Precisamos intensificar essa fisioterapia. Ajustando os treinos, talvez, eu consiga andar até sem as barras.
- Eu ficaria calma enquanto a isso, pois temos um caminho difícil pela frente. Você interrompeu o tratamento várias vezes, nunca seguiu o treino da forma adequada. É como se estivesse sem asseio, estivesse num lugar sujo que precisa de uma descontaminação para seguir limpo.
- Que horror, View!
- Confie em mim! É a verdade! Mas não se preocupe. Love é bastante competente. O que tem achado do tratamento? Da Love, na verdade!
- O tratamento com ela é mais leve. Leve no sentido de nossa conexão ser mais fácil. Pesado, no sentido de que ela é rígida. Muito intensa em tudo que ordena e eu sinto que estou evoluindo.
View olhou muito incrédula e balançou a cabeça.
- O que foi? - Milk perguntou.
- Você gosta dela!
- Claro que gosto. No início foi meio irritante e ela é bem respondona, mas nós nos conectamos bem no tratamento.
- Não! Não é esse gostar que estou falando. Você gosta dela! Como mulher!
- Páre de falar besteira!
- Não é besteira, Milk.
- Minha nossa! Você é demais. Ande, me ajude a chegar na banheira. Estou muito suada. Minha mãe tem razão. O cheiro tá horrível. - Falou mudando de assunto.
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Varrendo a Infelicidade - MilkLove
FanfictionMilk Vosbein é uma jogadora de basquete, que no auge de sua carreira sofreu um acidente. Love Patranitte é uma estudante de fisioterapia, que trabalha na limpeza urbana de Bangkok. As duas são obrigadas a conviver e desenvolvem um jogo, que poderá...
