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Capítulo 1

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O encontro

— Samantha, quais são suas maiores inseguranças?

Ele pergunta como se tivéssemos intimidade o suficiente para contar qualquer coisa pessoal para ele assim, como se elas não significassem nada.

Quase engasgo ao dar um gole no meu refrigerante. Coloco o copo de volta à mesa, sobre a poça de água que ele deixou ao ficar parado, suando. Junto minhas mãos e começo a mexer no meu anel de quinze anos: um solitário dourado com uma pedra brilhante.

Que pergunta é essa?

A primeira coisa que penso é: quem faz esse tipo de pergunta em um primeiro encontro?

— Hum... — pigarreio. Não dá para demorar mais sem responder. — Creio que não conseguir me desvencilhar das minhas inseguranças.

Não sei o que foi pior: a pergunta ou a minha resposta. Como eu saio disso? Arghhh.

— E quais são elas? — Ele ainda insistiu.

Meu Deus. Do céu.

Não dá para entrar nesse assunto. Levaria muito tempo até eu terminar de falar. Não dá para a gente ficar por horas aqui.

O local fecha logo, logo. Saí de casa o mais tarde que pude. Assim, o encontro seria mais rápido. O local fecha às 22 horas. Olho para o relógio: 21h40.

Temos vinte minutos.

Vinte longos e desgastantes minutos.

Mas dá para sobreviver vinte minutos.

Ninguém morre em vinte minutos.

Quer dizer...

Pessoas morrem.

Não hoje... eu espero.

Ele me buscou em casa. Falamos qualquer abobrinha no carro. Demorei o trajeto inteiro para pensar em qual lugar ir. Finalmente escolhi essa pizzaria, que quase ninguém frequenta. É quinta-feira. Não é um dia em que o pessoal sai muito de casa. Normalmente eles saem no sábado. Considerei isso quando topei vir até aqui.

Topei...

Me preparei muito mentalmente para estar aqui agora. Ele conversa comigo há meses pela internet, ou pelo menos tenta. Eu sempre sumo. Evito. Respondo, sorrio, mas foco minha atenção em outras coisas e desapareço.

Mas a vida estava parada demais.

Meus pais querem um genro. Minhas amigas querem sair de casal. E eu só queria completar vinte e cinco anos conseguindo pelo menos tentar ter um encontro na minha vida.

Por sorte, o garçom chegou com a pizza. O cheiro estava maravilhoso, mas meu estômago não estava aceitando nada. A fome, apesar de presente, estava sendo substituída por algo mais invisível, mas igualmente presente. Que estranho.

— Filé ao alho. Boa escolha. — Ele disse, esperando e me olhando para ver se eu tirava meu primeiro pedaço.

— É meu favorito. — Sorri, tentando ser simpática.

Não, não, não.

Filé ao alho.

Por que escolhi filé ao alho?

O cheiro não vai sair nunca da boca e, depois daqui eu tenho quase certeza de que ele vai querer algo no carro...

Droga.

— Algum problema? — perguntou, curioso.

— N-não... Nada. — Gaguejo e tiro a primeira fatia. Ele faz o mesmo movimento assim que encosto o pegador na pizza.

COMO ISSO PODE SE TORNAR UM DESASTRE? Bağımlısı olacağınız hikayeler. Şimdi keşfedin