Existem histórias que terminam.
E existem histórias que simplesmente param de ser contadas.
Ana Castela e Gustavo Mioto cresceram cercados pelas mesmas pessoas. As famílias eram inseparáveis, os encontros de domingo eram tradição e, durante anos, di...
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"Algumas histórias não acabam. Apenas ficam tempo demais sem serem contadas."
A manhã ainda nem havia despertado completamente quando Barretos começou a respirar.
Não era um lugar que acordava de uma vez. Era como um organismo enorme, acostumado a voltar à vida todos os meses de agosto. Primeiro vinham os caminhões cruzando lentamente os portões do Parque do Peão. Depois o barulho metálico das estruturas sendo montadas, o estalar dos rádios da produção, os primeiros testes de iluminação e, aos poucos, as vozes se misturavam ao som distante de um berrante que alguém insistia em tocar antes mesmo de o público existir.
Havia poeira no ar.
Sempre havia.
Ela se prendia às botas, às barras das calças, aos pneus dos carros elétricos que circulavam pelos bastidores e parecia fazer parte da identidade daquele lugar tanto quanto a arena ou os chapéus de palha.
Quem nunca tinha ido a Barretos enxergava apenas um rodeio.
Quem voltava todos os anos sabia que aquilo era uma cidade inteira construída para durar poucos dias.
Ana sempre fizera parte dela.
Assim que o carro parou diante da área reservada aos artistas, ela abaixou o vidro antes mesmo que o segurança se aproximasse.
— Bom dia, Ana.
— Bom dia.
Ele sorriu enquanto conferia a credencial.
— Bem-vinda de volta.
Ela agradeceu com um aceno e voltou a fechar o vidro.
Gostava daquela frase.
De volta.
Nunca parecia "chegada".
Barretos tinha deixado de ser um destino havia muito tempo.
Era um reencontro anual com um lugar que conhecia de cor.
O motorista estacionou próximo aos camarins.
Assim que a porta abriu, o calor envolveu seu corpo imediatamente. O relógio ainda marcava pouco depois das nove da manhã e o sol já refletia na estrutura metálica dos palcos, obrigando técnicos e produtores a procurar qualquer sombra disponível.