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Cap. 1

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O silêncio na mansão dos Sinclair sempre foi um artigo de luxo, mas, desde que Maddie embarcara para Londres com seu habitual séquito de amigas ricas, a casa finalmente parecia respirar. Celina ajeitou o caimento do seu vestido de cetim azul-noturno diante do espelho, sentindo um alívio quase físico por não ter que ouvir os saltos da irmã mais velha ecoando pelo corredor, seguidos de alguma ordem fútil ou de uma humilhação gratuita direcionada aos funcionários de Robert Sinclair.

Maddie sempre se considerara o centro do universo. Para ela, o sobrenome Sinclair e a conta bancária do pai, um influente empresário do ramo de investimentos, eram licenças para tratar o resto do mundo como meros figurantes de sua vida perfeita.

Sarah, a mãe delas, costumava relevar o comportamento da primogênita com um suspiro cansado, mas Celina nunca conseguira engolir aquela arrogância. Ela era o oposto exato da irmã: preferia a observação ao espalhafato, a empatia ao desprezo e, acima de tudo, queria construir o próprio caminho sem carregar o sobrenome como um escudo de superioridade.

Antes de cruzar o portão de embarque no aeroporto internacional, Maddie fizera questão de reunir a família para um anúncio dramático: após seu retorno da Europa, apresentaria a todos o seu novo namorado "misterioso".

Robert e Sarah apenas assentiram com sorrisos amarelos. Ninguém na casa realmente acreditava que o relacionamento duraria. O histórico de Maddie era composto por um rastro de namorados que, após algumas semanas lidando com suas crises de estrelismo e temperamento instável, simplesmente pegavam suas coisas e sumiam sem deixar rastros.

Mas Celina não queria pensar em Maddie hoje. Hoje era a sua noite.

A atmosfera do The Onyx era eletrizante. A balada, encravada no coração do distrito mais nobre da cidade, era o refúgio secreto da alta sociedade e dos nomes mais pesados da indústria do entretenimento. O teto alto era decorado com painéis de LED que projetavam constelações abstratas em tons de violeta e dourado, enquanto o som grave das batidas do DJ de deep house vibrava diretamente no peito de quem estava na pista de dança. O aroma de perfumes importados caros misturava-se ao frescor do espumante que circulava em taças de cristal lapidado.

Celina e sua melhor amiga, Millie, estavam instaladas em uma mesa bistrô próxima ao bar de mármore negro, onde barmans faziam malabarismos com coqueteleiras de cobre.

— Eu ainda não consigo acreditar! — Millie praticamente gritou para ser ouvida acima da música, erguendo sua taça de champanhe. Ela usava um minivestido verde-esmeralda coberto de paetês que refletia a iluminação do clube a cada movimento enérgico que fazia. — A minha melhor amiga é a nova estrela da série de terror mais cara da temporada! Celina, você vai ser um ícone do suspense!

Celina riu, sentindo as bochechas esquentarem, e brindou com a amiga. Ela deu um gole na bebida borbulhante, sentindo o frescor suavizar a tensão acumulada dos últimos dias de testes exaustivos.

— Shh! Não grita, Millie! O contrato ainda está na fase final de revisão jurídica — Celina advertiu, embora um sorriso imenso concluísse sua felicidade. — Mas sim... o diretor me ligou pessoalmente. Ele disse que meu teste de química com a câmera e a forma como entreguei o monólogo de pânico foram exatamente o que eles procuravam para o papel principal.

— E eles que ousem contestar! Você passou por três fases de audição, competindo com atrizes que já têm milhões de seguidores, e levou o papel puramente pelo seu talento — Millie segurou as mãos de Celina, os olhos brilhando de orgulho genuíno. — O diretor de elenco sabe o que faz. Essa série vai mudar a sua vida, Cel.

Celina olhou para si mesma, alisando o tecido macio do vestido que descia de forma fluida até a altura de seus joelhos, complementado por um colar delicado de prata que pertencera à sua avó. Ela não precisava de joias chamativas para se destacar; sua beleza era sutil, magnética por sua naturalidade.

Man in the mirror - Jaafar JacksonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora