Quarto 19

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Infelizmente, após a derrota da Noruega contra a Inglaterra, com um placar extremamente humilhante para Erling Haaland, ele sentiu seu coração se perder a cada letra cantada pela torcida inglesa.

Era como se seu peito carregasse cada pedacinho da culpa por todos os jogadores, até mesmo os reservas. Ele não esperava se sentir assim, pois notamos que o norueguês sempre foi um tanto quanto divertido em campo. Mas não depois de ver, com seus próprios olhos, a derrota de sua seleção, que ele honrou com tanta fé.

Quando se levantou para sair do campo, sentiu um olhar queimar sua nuca. Não era a torcida, ele sabia disso; o olhar que queimava sua pele era reconhecível. O loiro olhou para trás pelo canto dos olhos e pôde ver quem o observava: Jude Bellingham, seu adversário — se é que podemos chamar assim — colocou a mão perto do rosto, fazendo um sinal de telefone e terminando com uma piscadela. Haaland, por mais abalado que estivesse, deixou um sorriso escapar de seus lábios carnudos, apenas para Bellingham.

Erling decidiu ficar por mais um tempo no vestiário. Nem ele mesmo entendeu o porquê, nunca havia feito isso, mas sentia que deveria. Por quanto tempo? Ele apenas esperou que as respostas caíssem do céu.

Seu celular vibrou; a notificação de um certo contato salvo como "🔟" brilhou em sua tela. Seus dedos rapidamente apertaram o aparelho. Estava nervoso, não pela derrota, mas sim pela promessa feita por Jude Bellingham. Haaland não tinha escutado o que o moreno falou no estádio em chamas pelos gritos dos torcedores, provavelmente algo como: "Não se preocupe, talvez eu te recompense mais tarde, de qualquer forma".
Essa breve memória fez o loiro despertar de seus pensamentos. Lendo a conversa de Jude, não parecia algo importante para qualquer um olhar, mas para Erling era, e muito.

"Hotel xxx-xxx-xxx, número 19. No aguardo ;))"

O norueguês surtou. Pegou suas coisas do vestiário e correu para onde seu homem o esperava, nem passou pela sua cabeça tirar a camiseta que acabou de usar em campo. Provavelmente deve ter transgredido várias leis de trânsito, mas não se importava com mais nada, a não ser que fosse seu quase namorado implorando por ter Haaland por perto.

*

Erling não bateu na porta, já estava acostumado a encontrá-la aberta à sua espera, até porque não era a primeira vez entre eles, e acreditavam que nunca seria a última.

— Achei que não ia comparecer — a voz de Bellingham soou pelo quarto. Haaland não tinha tanta visão do local, pois havia apenas um pequeno abajur ao lado da cama com sua luz fraca e amarelada, mas a silhueta de Jude era marcada pela luz do luar que passava pela janela.

— Não pense isso de mim, não posso te deixar só — Erling fechou a porta atrás de si e caminhou lentamente até a beira da cama onde o inglês se sentava, deixando um espaço especialmente para ele, o que não foi recusado.

O norueguês se aproximou de Jude, que abriu os braços para confortá-lo, um gesto que foi muito bem recebido. Eles ficaram nessa posição por alguns minutos, até que Bellingham quebrou o silêncio que pairava no ar.

— Você está bem? — "Não", essa seria a resposta se Erling tivesse forças para abrir a boca. Tudo o que queria era sumir. Estava com vergonha de olhar para seu amante, então apenas apertou o abraço. — Não quero que você se culpe por isso. Você jogou muito bem, está sendo avaliado como um dos melhores jogadores desta copa, isso se já não for o melhor. — Jude deu uma pausa um tanto quanto dramática. — Você ainda vai ter muitas oportunidades de honrar todos que te admiram, inclusive eu. Mas, no meu caso, já faz um tempo que estou a te admirar.

— Mas e se eu não tivesse saído? E se eu estivesse com mais foco no jogo? Ah, Jude... Não quero carregar esse peso nas costas... — Erling desabou completamente. Pequenas lágrimas escorreram pelo canto de seus olhos; o que Haaland mais lutou para não acontecer nesta noite foi em vão, ele não queria deixar o inglês preocupado.

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