EP - 1

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POV MARÍLIA.

Olho no celular vendo que é mais uma ligação da minha mãe e eu não quero falar com ela não depois de ver uma mulher pagando um boquete pro meu pai no escritório dele, ter contado pra ela e ela perdoar ele, meu pai pra mim era um príncipe encantado, ele era o responsável por me fazer acreditar que um dia encontraria o amor mais tudo desmoronou depois de tudo que eu vi, eu fiquei tão em choque no dia que simplesmente não consegui confrontar ele invés disso fui embora e contei tudo pra minha mãe e no final ela perdôo o meu paí que além de perder o meu respeito me deixou traumatizada e já fazem três meses que eu não falo com ela e nem com ele, eu tô triste e magoada com tudo isso. Eu não consigo ficar no mesmo lugar que os dois sabendo o que aconteceu, a minha mãe aceitou uma traição e isso não entra na minha cabeça pois ela é incrível não entendo como conseguiu aceitar uma coisa dessas do meu pai.

Me arrumo pra reunião que vou ter daqui alguns minutos, eu trabalho pra uma página que fala de sertanejo, minha chefe me passa informações e eu faço os textos seja ele de fofoca ou elogios, eu apenas faço o meu trabalho no anonimato a pessoa que sempre tá a frente com seu rosto é a minha chefe, a Michele é a melhor amiga da minha mãe e eu trabalho com ela a um ano desde que terminei a faculdade de jornalismo, fora do trabalho ela é uma tia pra mim porém eu sou profissional e muito boa no que eu faço e respeito muito ela como chefe. Abro o meu computador e já me preparo pra quando ela me chamar e isso acontece logo então ligo minha câmera e atendo.

Michele: vou começar te Dando os parabéns você foi incrível nas pesquisas e em tudo sobre os cantores mais ouvidos do momento e bom é por isso que vou precisar que você vá no meu lugar em um evento.

Marília: no leilão beneficente? ( Pergunto e sei que meus olhos devem estar brilhando só de pensar nesse evento).

Michele: sim, você sabe que eu sempre marco presença nesses eventos, eu preciso que você tire algumas fotos e anote tudo que você achar interessante e depois quero que se divirta um pouco querida.

Marília: eu não misturo trabalho com diversão, sabe disso.

Michele: faça o seu trabalho e depois beba e se divirta sei que tem amigas no ramo da música e elas provavelmente vão estar lá ( faço uma pausa) e sua mãe falou comigo, por favor querida ligue pra ela de volta, se a sua mãe perdôo seu pai isso não é sobre você e sim sobre ela mesma não deixe a relação de vocês ficar desse jeito por uma atitude dele.

Marília: ela foi falar com você?

Michele: Sim, ela tá muito triste com o afastamento de vocês.

Marília: eu vou falar com ela.

Michele: use um vestido bem bonito hoje a noite e não esqueça se divirta muito.

Ela desliga e eu pego meu celular e mando uma mensagem pra minha mãe perguntando se a gente pode se encontrar no nosso restaurante favorito pra conversar, eu amo a minha mãe e mesmo sem aceitar que ela tenha perdoado o meu pai realmente preciso entender que apesar de eu não aceitar o que meu pai fez o que ela decidiu não é problema meu. Como ainda é cedo antes de ir almoçar com a minha mãe que não demorou pra confirmar sua presença vou andando mesmo até o abrigo de animais onde tem uma cachorrinha linda que eu sonho em levar pra minha casa mas infelizmente não posso pois o meu prédio não permite animais. Entro no abrigo e logo sou recebida por um sorriso lindo da Paulinha que apesar de tá passando sufoco nunca deixa de sorrir. Ela cuida desse abrigo com ajuda de doações e de alguns voluntários que às vezes ajuda na limpeza e em algumas coisas que dá pra fazer mais sei que as coisas não estão indo nada bem apesar de ela tentar esconder isso de mim.

Marília: tá tudo bem por aqui? ( Pergunto vendo o tanto de papéis que ela segura) Vim ver a Lola.

Paulinha: ela tá doida pra te ver, cê sabe que ela te adora.

Marília: queria tanto poder levar ela pra casa mas infelizmente aquele lugar não aceita bichinhos tão fofos.

Paulinha: eu sei que você tá doida pra se mudar e até lá eu vou cuidar bem dela.

Marília: tem certeza de que você tá dando conta de tudo?

Paulinha: tô tentando cê sabe que mesmo sem caber eu continuo aceitando mais cachorros de tua não posso deixar os coitadinhos no meio da rua.

Marília: você tem um coração de ouro e sabe que se eu pudesse te ajudava com as despesas.

Paulinha: você já me ajuda muito, agora vai lá ver a Lola.

Dou um beijo em sua bochecha e sigo pra ala onde os cachorros ficam, vejo minha futura cachorrinha que eu ajudei a resgatar a coitadinha tava com uma para quebrada e cega de um olhinho, eu tive tanto dó que precisei resgatar ela e como já conhecia a minha amiga pedi ajuda a ela. Depois de ficar um tempo brincando com a Lola, vejo que minha mãe aceitou almoçar comigo no meu restaurante favorito desde pequena que meus pais me levam lá e isso me lembra de como o meu pai destruiu isso também. Vou até o restaurante e sento em uma mesa esperando por ela que demora bem mais do que o normal pra chegar, confesso que tô nervosa, vou evitar falar no meu pai pois é um assunto que eu não quero entrar agora, só preciso fazer ela entender que eu querer ela perto de mim não inclui o meu pai nessa equação, finalmente vejo ela entrar no ambiente e vim até mim assim que me vê.

Ruth: senti sua falta filha ( falo me sentando) como você tá?

Marília: eu tô bem mãe e você tá bem?

Ruth: eu tô me recuperando.

Marília: falou com a tia Michele?

Ruth: eu não sabia mais o que fazer pra que falasse comigo.

Marília: eu sei que não é culpada pelo o que meu pai fez e é por isso que não quero falar dele.

Ela assente e ficamos conversando e até que estamos bem, apesar de evitarmos qualquer assunto sobre o meu pai.

Ela assente e ficamos conversando e até que estamos bem, apesar de evitarmos qualquer assunto sobre o meu pai

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