— Pai, eu tenho mesmo que dançar nessa festa? — perguntou Maria Helena com os braços em volta do corpo e os ombros encolhidos.
Seu pai, o pastor Isaías, que estava de frente para o espelho dando nó na gravata, olhou de canto sem dizer nada.
— Sabe, eu não concordo com essa ideia de dançar com alguém em uma festa e ser obrigada a passar o resto da vida com essa pessoa e so uma superstição idiota.
— Maria Helena, foi um erro te deixar estudar por tanto tempo... — começou dando o último nó na gravata. — Essa "superstição idiota" casou eu e a sua mãe, e metade dos casais da cidade.
— Fala serio. Pai eu não sou mais criança para acreditar que uma dança tem todo esse poder. "Par que dança na fogueira, casa para a vida inteira." — ironizou o ditado que ouvia desde criança.
Ele ajeitou a gravata perto do colarinho e enfim olhou para a filha com o olhar serio e queixo erguido.
— Não e só a tradição. Você já e uma mulher adulta deveria entender, não e bom para uma moça na sua idade ficar sem marido. — respondeu se sentando atrás da mesa do seu gabinete. — E a vontade de Deus e a minha também. Vai dançar e pronto.
— Pai..
— Fim desse assunto Helena, me deixa sozinho preciso preparar a pregação de hoje.
Ela erguer os braços os batendo contra a lateral do corpo. Enfim balança a cabeça negativamente e sai do gabinete do pastor atraindo olhares de repreensão da irmã que servia café para o mesmo.
Ao chegar ao salão se sentou no local marcado para a família do pastor ao lado de uma janela que lhe permitia uma vista privilegiada da praça onde já era possível avistar algumas ornamentações para a festa da colheita que seria no próximo domingo.
A famosa festa que comemorava a colheita daquele ano, era tradição da cidade, as musicas, a comida e principalmente a dança que acompanhava gerações. Sempre com o mesmo ditado popular:
"Par que dança na fogueira, casa para a vida inteira."
Não detestava a festa; recordava-se de quando era criança e se divertia muito, fazendo bandeirinhas coloridas, observando os meninos mais velhos buscando flores para as moças com quem pretendiam dançar, e as mulheres conversando sobre o melhor tempero ou quem faria os doces.
Nunca almejou dançar dessa festa, porém sendo a filha do pastor não tinha escolha, nem mesmo do seu par:
— Meus irmãos e irmãs, saúdo a todos com a paz do senhor. — Começou o pastor Isaias subindo no púlpito
— Se aproxima o dia da Festa da Colheita — começou ele enquanto abria a bíblia — Em breve descobriremos quem Deus irá unir em matrimônio por meio da dança. Eu como pai não poderia estar mais ancioso, já te enfim minha filha ira participar.
Os membros aplaudiram e sorriam olhando para Maria Helena com orgulho.
— Veremos qual rapaz terá fé suficiente para cumprir todos os requisitos para tirar minha filha para dançar.
O olhar do pastor, percorrendo os rostos dos jovens presentes, balançou a cabeça em negação.
Os meninos na mesma hora se ajeitaram nos bancos, segurando suas bíblias com mais força que o necessário.
A filha do pastor, por outro lado, respirou fundo e cobriu o rosto com a mão.
Será uma semana longa...
O pastor seguiu com o sermão, relembrando novamente um dos muitos tópicos de uma lista, que, segundo ele, tinha sido dada por Deus, para saber quem seria o par ideal da sua filha. Maria Helena ouvia aquela lista desde que era criança, mas nunca levou a sério.
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A Festa da Colheita
RomanceMaria helena é a filha do pastor de uma pequena cidade no interior, onde todos os anos comemoram a colheita com uma grande festa, repleta de comida, musica e dança. A cidade possuiu um lema: Par que dança na fogueira, casa para a vida inteira. Se da...
