O dia começa cedo na terça-feira, eu saio da cama, faço o café da manhã, arrumo minha mochila, separo mais uma muda de roupas, coloco tudo no meu carro e saio de casa. Faço quase duas horas de natação, e só então vou para o trabalho.
Na semana anterior eu recebi um paciente para tratamento de reabilitação depois de um grave acidente de trânsito, e isso me leva de volta para os meus dois professores da época da faculdade.
Augusto, meu paciente, é um jovem rapaz de hábitos muito saudáveis, gosta de correr, pedalar, fazer trilhas e etecetera. Isso me fez pensar em um plano de tratamento, a curto e longo prazo, para que ele se recupere das sequelas do acidente, consiga manter e recuperar o condicionamento físico que tinha antes do acidente, e volte a ter a vida que tinha antes de tudo acontecer.
É aí que os meus professores, Núria e Alex entram. Os dois são médicos fisioterapeutas, foram meus coordenadores e orientadores na faculdade, e tratam atletas de alta performance e também atletas profissionais. Há uma semana eu enviei um e-mail pedindo ajuda para montar um plano de tratamento com base em métodos para atletas, e felizmente tive resposta imediata da parte de ambos, que buscaram um dos pacientes deles e que aceitasse a ideia de me deixar acompanhar as sessões para eu poder tirar o máximo dos ensinamentos deles na prática. E finalmente eles encontraram essa pessoa.
Saio do hospital perto das 18 horas e dirijo até o endereço que Núria enviou mais cedo, e assim que paro em frente a enorme casa dentro de um dos melhores condomínios de Barcelona, vejo ela e Alex em frente a porta esperando por mim. Eu desço do carro, coloco a mochila no ombro e ando apressadamente até eles, que me recebem em um único abraço, formando um abraço triplo. – Como é bom rever vocês dois!
– Não passaríamos esse tempo todo separados se você não tivesse escolhido o Doutor Patrick Gato Gardener. – O professor Alex resmunga, e imediatamente eu bufo em protesto.
– Você se sairia muito melhor em muitos momentos se simplesmente ficasse com essa bocona fechada, sabia? – Núria protesta contra ele, que ri e concorda com um aceno.
– Tá bem, já entendi que você está contra mim, Alex. Mas me diga, quem eu vou observar e ajudar a tratar? – Cruzo os braços e troco olhares com os dois, logo antes da porta se abrir nas costas deles.
– Ouvi vozes! Bem-vindos, e bom final de tarde! – O homem sorridente aparece pela abertura da porta, a pele é bronzeada do sol, tem a ponte do nariz e as bochechas queimadas também pelo sol, o cabelo é castanho escuro, crescido e cuidadosamente colocado para trás enquanto úmido. Seu rosto é sério, parece pouco sorridente e menos simpático ainda. Seu corpo é visivelmente forte, bem postado e atlético, mesmo longe do físico padrão popularmente conhecido, pelo meu rápido cálculo mental, ele tem 1,85 de altura. Nem um centímetro a mais ou a menos e deve pesar em torno de 80 quilos. – Como vão vocês? – Ele abraça e beija o rosto de Núria e Alex, que correspondem com enorme simpatia, e então ele vem na minha direção, e antes de qualquer coisa eu estendo a mão direita para cumprimentá-lo.
– Muito prazer. Me chamo Melisa. – Estudo seu rosto de longe na tentativa de reconhecê-lo e parecer interessada em quem quer ele seja.
– Prazer em te conhecer também, Melisa. – Ele aperta a minha mão, vira as costas e dá espaço para que possamos entrar em sua casa.
Ele é um atleta profissional, é um rosto conhecido, mas eu não consigo me lembrar de onde ele é, ou qual é o seu nome. O que é o suficiente para me passar uma impressão péssima sobre ele. Primeiro porque ele não demonstra qualquer sinal de ser simpático ou minimamente receptivo, e segundo porque ele assume que é conhecido e bom demais para sequer dizer o próprio nome.
Sigo Núria e Alex de perto, descemos um lance de escadas que leva para um andar abaixo do que estávamos inicialmente, que era no nível da rua, andamos por um corredor e entramos em uma enorme sala, cheia de aparelhos de academia, para exercícios diversos, com um espaço para uma aula de luta, ou o que ele quiser fazer. Em um canto próximo a enorme porta de vidro fica uma maca super confortável, uma mesa de apoio e tudo que um fisioterapeuta precisa.
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Depois da Tempestade | Ferran Torres
FanfictionMelisa nunca quis trabalhar com jogadores de futebol. Ferran Torres nunca fez questão de ser agradável com qualquer um logo de cara. Quando um caso delicado leva Melisa a integrar a equipe de fisioterapia responsável pela recuperação de um atleta, e...
