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⚚ 01. ​Um começo.

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꧁Capítulo 01꧂

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꧁Capítulo 01꧂

Havia dois lados no mundo: de um lado o dos humanos e do outro o dos vampiros. Os humanos nutriam um ódio profundo e compreensível no coração pelos vampiros. Pois essas criaturas cruéis, traiçoeiras e brutais se alimentavam do sangue humano e matavam Impiedosamente, deixando rastro de luto e terror. Alguns não tomavam do sangue e matavam apenas por diversão, pois se sentiam superiores e acima dessas vidas inocentes.

​No entanto, em meio à escuridão e a raça de sua espécie, existia um vampiro diferente. Seu nome era Castiel, ele se recusava a se alimentar de sangue humano, sobrevivendo unicamente com o sangue de animais.

Os humanos viviam em uma pequena, mas acolhedora, aldeia chamada Eldoria. E ali, naquela aldeia morava uma jovem chamada Violet. Seus cabelos eram longos, lisos e de um negro profundo, emoldurando um rosto iluminado por olhos castanhos claros. Violet era a personificação da alegria: divertida, educada, e querida por todos. Amava os animais, era uma alma aventureira e possuía uma curiosidade insaciável.

Violet vivia em uma casa humilde e simples com sua mãe, seu pai e seu irmãozinho mais novo. O seu tempo livre era dedicado e preenchindo a passeios, à leitura, a aventuras e a passear com sua ovelha de estimação, a quem carinhosamente chamava de Nevasca devido à sua lã branca como a neve.

​Naquele início de tarde, o sol ainda estava alto quando Violet se preparou para sair.

​— Estou saindo! — Violet anunciou, seu sorriso largo aquecendo a cozinha. Ela inclinou-se primeiro e deu um beijo rápido na bochecha da mãe, depois no pai, e por último, um beijinho na testa do irmãozinho, que brincava no chão.

​— Certo, querida. — Sua mãe, uma mulher de semblante doce, colocou as mãos na cintura e arqueou as sobrancelhas com uma expressão de leve advertência. — Mas não vá muito longe! É perigoso, e quero você de volta antes do jantar, ouviu?

Violet assentiu com a cabeça, seus olhos castanhos piscando rapidamente em concordância, enquanto se virava para a porta. — Pode deixar, volto antes que escureça!

Enquanto caminhava pelas ruas de Eldoria, Violet cumprimentava alegremente todos que via.

​— Boa tarde, querida! — disse uma senhora idosa, com a voz gentil, que estava regando as flores.

​— Boa tarde, senhora Elara! — Violet respondeu com a voz melodiosa, exibindo um sorriso gentil e sincero.

​— A tarde está muito linda, não é mesmo, Violet? — comentou um senhor, com um sorriso bondoso.

​— Está lindo mesmo! — respondeu Violet, com sua voz cheia de vivacidade.

Em seguida, quatro crianças, que corriam e brincavam de pega-pega, pararam de repente.

​— Olá, Violet! Você está muito linda hoje! — disse o menino mais velho, com os olhos arregalados de admiração.

​Violet parou, piscando rápido enquanto olhava para o grupo, cruzando os braços por um momento, pensativa, e depois os descruzando para gesticular com as mãos.

​— Ora, muito obrigada pelo elogio! Vocês também estão muito bonitos, e super dispostos para brincar, pelo visto! Se divirtam bastante!

Ela seguiu seu caminho até um campo aberto, vasto e verdejante, que se estendia perto da aldeia. Escolheu uma árvore grande e frondosa. Sentou-se no chão sob a sombra fresca, apoiando a cabeça no tronco. Abriu o livro que carregava consigo e começou a ler.

Ela mal havia lido a primeira frase quando um berro baixo e familiar conhecido a fez levantar a cabeça.

— "Béééé"

Era Nevasca, sua ovelha de estimação, que a havia seguido sorrateiramente e agora olhava para ela com olhos curiosos. Violet arregalou os olhos de surpresa e lançou a sobrancelha direita para o alto.

— Nevasca! O que você está fazendo aqui, sua danadinha? — perguntou, rindo com o tom de voz divertido.

Nevasca berrou um pouco, expressando felicidade, e esfregou a cabeça no ombro de Violet. A garota começou a fazer carinho na lã macia da ovelha. Nevasca logo se deitou no colo de Violet. Com um sorriso terno e um suspiro suave, Violet pegou o livro de volta.

​— Tudo bem, minha curiosa. Vou ler para você.

​Ela começou a ler em voz baixa, as palavras sussurradas misturando-se ao zunido dos insetos. No meio da leitura, um ruído seco e estalado vindo da floresta próxima quebrou a paz. Um galho sendo quebrado.

— ​"Oque foi isso?" — pensou Violet, franzindo o cenho e apertando o livro contra o peito.

Violet estacou a leitura, seu corpo ficando tenso. Seu olhar ficou fixo na direção do som, seus lábios se apertando em preocupação. Nevasca, assustada, deu um berro alto e, num rompante de pânico, correu em direção à escuridão da floresta.

​— Nevasca, não! — gritou Violet, levantando-se abruptamente, o livro caindo no chão.

​Sem pensar duas vezes, ela correu atrás de sua ovelha. A floresta, inicialmente apenas uma linha de árvores, começou a engoli-la.

​— Nevasca! Onde você está? — ela chamava, a voz carregada de apreensão.

À medida que avançava, a floresta parecia mais densa, as sombras se alongando. Violet percebeu que o sol já estava se pondo, tingindo o céu de tons alaranjados que mal conseguiam penetrar a folhagem. Depois do que pareceu uma eternidade, seus olhos capturaram uma mancha branca entre as árvores.

​Lá estava Nevasca, tranquilamente comendo algumas folhas de um arbustos.

​Violet trocou o pé de uma perna para a outra, sentindo o alívio esmagador, e pôs as mãos na cintura. Seu peito subiu e desceu algumas vezes enquanto ela recuperava o fôlego, com um tom de voz misto de alívio e repreensão.

A ovelha levantou a cabeça, correu até Violet e deu um berrinho meigo.

​— Vamos para casa agora. Está ficando tarde.

As duas começaram a caminhar. Contudo, quanto mais andavam, mais a floresta parecia a mesma. As árvores se tornavam indistinguíveis. Violet parou, mordendo o lábio inferior e arregalando os olhos ao perceber a gravidade da situação.

​— "Não... não estou reconhecendo nada!"

​Ela abraçou o próprio corpo instintivamente, tentando afastar a sensação de pânico que subia por sua garganta. Precisava voltar para casa antes que a noite caísse completamente. Continuou andando, forçando um ar de confiança para Nevasca.

​A luz que sobrava do dia desapareceu por completo, e a floresta se tornou um manto de escuridão quase total. Foi então que ela escutou. Um novo barulho, desta vez mais próximo e pesado, vindo de entre as árvores. Não era o som de um galho. Era algo que se movia.

Nevasca, soltando um berro agudo de pavor, rapidamente se enfiou atrás das pernas de Violet. A garota sentiu o coração disparar em seu peito. Seus olhos se apertaram, tentando perfurar a escuridão, e o medo congelou o sorriso em seu rosto. Ela engoliu em seco, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.

— "O que é isso? Será que... será que é um deles?"

 será que é um deles?"

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