Capítulo 1: O Esconderijo Silencioso

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Meu coração não batia, mas a energia que percorria meu corpo de gosma era como uma fúria, uma raiva de estar sendo caçado. Correr assim era um erro, me deixou exposto. Meu Quirk, "Parasita", foi feito para furtividade, para me esconder nas sombras, não para essa perseguição desesperada pelas ruas de Musutafu. Os holofotes dos heróis varriam as paredes, e seus gritos cortavam a noite como uma dor de cabeça.

— Ele está indo para os bairros! Cerquem a área!"

Eu preciso de um lugar para me esconder. Um corpo. Algo que me faça desaparecer, me tornar parte da paisagem. Meus olhos, que não eram mais que buracos na minha massa gelatinosa, procuravam na escuridão por uma chance. E então o vi.

Um rapaz, alto, de aparência tímida. Ele carregava uma gaiola e parecia assustado com a confusão, encostado na parede como um bicho que tem medo. Perfeito. Ele era tão desimportante, tão... invisível. Ninguém daria bola nele. Ninguém repararia se ele ficasse mais quieto, mais recolhido. 

Atirei-me sobre ele. Ele deu um grito abafado, um som bobo que foi engolido pela minha massa enquanto o cobria. A luta foi fraca; o corpo dele era fraco e não sabia lutar. A mente dele, porém, foi um choque. Uma enchente de imagens, sons e sentimentos me atingem. Animais. O medo de falar. A admiração calma pelos colegas. Um nervosismo de ser notado. Koji Koda. Que belo hospedeiro pra passar desapercebido.

Empurrei a consciência dele para um canto escuro da própria mente dele, um sono profundo do qual ele não acordoia enquanto eu estava no comando. Meu corpo de gosma se abre, se molda, preenchendo cada pedacinho dele. A sensação foi esquisita, como usar uma roupa larga demais. Meus órgãos se mexeram, meus ossos ficaram duros. Em segundos, eu estava de pé, ofegante, o corpo de Koji Koda tremendo, não de medo, mas do esforço de tomar conta dele.

Os heróis passaram por nós, os olhos deles me ignorando completamente. Eu era só mais um estudante assustado na rua. Eu era invisível.

Três semanas depois.

A rotina de Koji Koda era extremamente chato. Acordar, dar comida para seus bichinhos, ir para a aula, sentar no fundo da sala, almoçar sozinho, voltar para o dormitório, estudar, dormir. Era uma tortura ter uma vida tão quieta sem nenhuma emoção, mas também uma vida silenciosa, e pra mim, foi um paraíso para observar.

Nos primeiros dias, a única coisa importante foi me acostumar. Acessar as memórias de Koda foi como mergulhar num mar de coisas sem importância e percepções calmas. Ele não pensou com palavras, mas com sentimentos e imagens. Ele via a turma não como pessoas, mas como bichos  cheio de personalidades barulhentas, e ele era a planta quietinha no canto.

E foi nessa plantinha quieta que eu consegui meu banquete.

Tinha uma Uraraka, com o sorriso dela que contagiava todo o mundo e uma energia que parecia flutuar, uma doçura que parecia tão fácil de estragar. A Yaoyorozu, a inteligência e a sua sofisticação uma virgindade na cabeça e no corpo que pedia pra ser sujo. A Asui, a menina-sapo, séria e profissional por fora, mas com uma lealdade forte que poderia ser a perdição dela. A Jiro, um rebelde com o fone de ouvido, uma capa de dureza escondendo um jeito especial que eu senti mesmo através das lembranças de Koda.

E tantas outras. Cada um um prato diferente, uma experiência pra curtir.

Durante esse tempo, algo que eu não esperava aconteceu. Ficar muito tempo no corpo de Koda começou a mudar minha própria biologia. A Individualidade dele, Anivoce, estava se misturando com a minha essência. No começo, foi só uma visão na garganta, uma sensação estranha. Aí, durante um treino, testei sem o corpo do koji. Falei com um pardal que estava perto da janela, não com uma ordem, mas com uma sugestão, uma sugestão .

Voe pro ombro da Yaoyorozu.

O pássaro mexeu a cabeça e voou, mas não foi direto pra ela. Ele pousou num galho perto, olhando pra ela, em dúvida. Entendo. Não era uma ordem. Era uma influência, um empurrãozinho. Funcionava melhor em bichos com uma mente que aceitava, com uma certa... preguiça. E, se funcionar com pessoas será ainda melhor para mim. Uma ferramenta boa, que me faria gastar menos da minha Marca Parasita.

A Marca. Essa era minha obra de arte mesmo. Enquanto andava pelos corredores da UA, "batendo" em estudantes e professores, eu plantava minhas marcas. Um toque no ombro do Aizawa durante um treino bagunçado. Um aperto de mão com o Present Mic na cantina. Um encontro "por acaso" com o All Might perto da sala dos professores. Cada toque deixava um pedaço invisível de mim, uma conexão.

Eu só poderia ativar duas marcas por vez, e pra dominar alguém, eu primeiro trocar de corpo com uma pessoa. Era uma saída perfeita. Se alguém começar a desconfiar do jeito estranho do "Koji", eu poderia dominar, tipo, a professora Recovery Girl, fazer ela ir até o corpo do Koji, e aí trocar para o corpo dela. Eu estaria no corpo dela, e seria fácil de evitar suspeitas caso elas começassem.

As três semanas passaram num borrão de aulas, comidas e observações. Eu sabia os horários delas, os caminhos que compartilhavam, os segredos que contavam baixinho nos dormitórios. Eu sabia quem tinha mais chance de ficar até tarde estudando, quem gostava de tomar banho em horários mais vazios.

A investigação sobre o "Parasita" tinha esfriado, virando mais um papel num arquivo de casos antigos. Eles estavam procurando por um monstro de gosma, não por um estudante quieto da turma 1-A. A segurança parecia normal. O palco estava pronto.

O corpo do Kodi era útil, mas tinha limite. A timidez dele era um problema. Eu preciso de algo mais. Alguém com confiança, com força, com acesso livre. Alguém que geraria menos desconfiança.

Meus olhos, os olhos do Koda, acharam os dele na cantina. Izuku Midoriya. A força dele escondia uma promessa. Eu imaginei o choque, o horror, o prazer de usar essa força e essa retenção como ferramentas pros meus desejos mais escuros. Usar a força dele, a sua quirk pra segurar uma garota enquanto ela gritava. Usar a voz dele pra sussurrar sugestões venenosas no ouvido dela.

Sim. Ele seria o próximo. O caçador estava pronto para sair da toca.

A noite foi perfeita. Eu sabia a hora que o Midoriya passava pelo corredor mais vazio do dormitório. A hora de trocar de pele.

Parasita na U.A. - A queda do heróiStories to obsess over. Discover now